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enorme dúvida sobre vitória de Ahmadinejad no Irã, diz vice dos EUA

O vice-presidente norte-americano Joe Biden disse neste domingo que há enorme dúvida sobre o resultado das eleições iranianas, das quais o atual presidente Mahmud Ahmadinejad foi declarado vencedor, motivo pelo qual os Estados Unidos vão avaliar antes de opinar.

Redação com agências |

"Há enorme dúvida" sobre o resultado das eleições iranianas de sexta-feira, e os Estados Unidos o analisarão antes de emitir mais comentários, disse Biden à rede NBC, evitando afirmar se seu governo vai aceitá-los.

"Devido à maneira com que (as autoridades iranianas) reprimem a liberdade de expressão, à maneira com que reprimem a multidão, à maneira com que são tratadas as pessoas, há verdadeiras dúvidas" sobre a legitimidade da reeleição do atual presidente, opinou Biden.

"Há muitos assuntos referentes ao modo como foi realizada esta eleição" no Irã, acrescentou.

No entanto, "não temos evidências suficientes para fazer um julgamento definitivo", comentou.

Pedido de anulação

O candidato derrotado nas eleições presidenciais iranianas, Mir Hossein Musavi, anunciou neste domingo que apresentou ao Conselho dos Guardiães da Constituição um pedido de anulação das eleições por irregularidades.

O Conselho dos Guardiães da Constituição é a máxima autoridade encarregada de confirmar a validade das eleições.

"Apresentei neste dia (domingo) meu pedido ao Conselho dos Guardiães para anular os resultados da eleição", segundo um comunicado de Musavi divulgado no site de sua campanha eleitoral.

Os membros do Conselho são nomeados diretamente e indiretamente pelo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que comemorou no sábado a reeleição do atual presidente, Mahmud Ahmadinejad.

AP
O presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad discursa

"Momento épico"

O presidente iraniano reeleito no sábado, Mahmoud Ahmadinejad, acusou a mídia internacional de espalhar propaganda contra o Irã e descreveu as eleições presidenciais de sexta-feira como um "modelo para o mundo". Em uma entrevista coletiva neste domingo, o líder iraniano disse que o pleito foi um "momento épico", insistiu que a votação foi livre e acusou a mídia internacional de não querer aceitar sua "vitória esmagadora".

"Quarenta milhões de pessoas participaram da votação. Como eles podem questionar isso?" indagou Ahmadinejad.

Ele também criticou os opositores que contestaram sua vitória, afirmando que eles estavam "perturbados" por não terem obtido os resultados que desejavam.

Questionado sobre o programa nuclear iraniano, Ahmadinejad disse que este debate "pertence ao passado", e afirmou que o Irã "abraçou" a ideia de um esforço internacional para eliminar armas nucleares.

Prisões

Mais de 100 reformistas, incluindo Mohammad Reza Khatami, irmão do ex-presidente Mohammad Khatami, foram detidos na noite de sábado, disse o líder reformista Mohammad Ali Abtahi. Um porta-voz do Judiciário iraniano declarou que eles não foram presos, mas que foram convocados e "avisados de que não devem elevar as tensões".

Segundo o porta-voz, eles foram libertados em seguida. Mas Abtahi, um ex-vice-presidente do Irã, disse: "Eles foram levados de suas casas ontem à noite." Ele disse que estão previstas mais prisões.

Os reformistas detidos são membros do principal partido reformista iraniano, Mosharekat.

A detenção de opositores e novos protestos aumentaram neste domingo a tensão no Irã. Cerca de 170 pessoas, 70 delas consideradas "organizadoras" dos protestos, foram detidas, indicou o subchefe da Polícia, Ahmed Reza Radan, citado pela agência oficial IRNA.

No domingo ao meio-dia, novos incidentes eclodiram em Teerã entre cerca de 200 partidários do candidato opositor Mir Hossein Musavi e as forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.

À tarde, a Polícia efetuou tiros para o alto para obrigar os manifestantes a recuar em uma avenida da capital.

Reuters
Protesto no Irã neste domingo

(*Com informações da Reuters, BBC, AFP e EFE)

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