Há 87 acampamentos guerrilheiros na Venezuela, diz Colômbia

Em reunião na OEA, Bogotá afirma que Farc e Exército de Libertação Nacional estão "consolidados" e "ativos" em solo venezuelano

iG São Paulo |

A Colômbia denunciou nesta quinta-feira à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, que grupos guerrilheiros estão "consolidados" e "ativos" em território venezuelano. A denúncia foi feita durante uma reunião solicitada por Bogotá para apresentar as provas que diz possuir sobre a presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano.

O representante da Colômbia na OEA, Luis Hoyos, apresentou ao organismo um extenso dossiê com supostas "coordenadas precisas" que provariam a presença de grupos guerrilheiros colombianos na Venezuela. Por meio de mapas, Hoyos denunciou a "presença consolidada, ativa e crescente desses grupos terroristas na Venezuela", dizendo possuir dados que confirmam a existência de 87 acampamentos em solo venezuelano.

"Os acampamentos não são novos e continuam se consolidando", disse o diplomata colombiano, em sua exposição durante a sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, iniciada às 10h37 locais (11h37 no horário de Brasília).

Em seu discurso, que também contou com fotos e imagens aéreas, Hoyos se concentrou nas informações sobre quatro localidades, que abrigariam os acampamentos Ernesto, Berta, Bolivariano e Jesus Santrich, situados "23 quilômetros para dentro do território venezuelano".

"Caso a Venezuela diga que essas fotos são montagens e essas informações não são verdadeiras, é fácil verificá-las. É só visitar esses lugares, ver os caminhos, os acampamentos e, principalmente, conversar com os desmobilizados", declarou o diplomata, referindo-se a guerrilheiros desertores que teriam concedido as informações ao governo de Álvaro Uribe. "(Os desmobilizados) também trazem dados e informações, porque estão cansadas da vida de crime. Todas têm cerca de 22, 23 anos", afirmou.

Segundo Hoyos, todos os documentos serão entregues ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza. A Colômbia espera "que o governo venezuelano aceite sua obrigação de impedir em seu território a presença de grupos que não são atacados nem perseguidos como deveriam ser", disse o diplomata.

A acusação foi repudiada por diversas vezes pela Venezuela. Na quarta, o presidente Hugo Chávez prometeu uma "batalha diplomática" na OEA, sob o argumento de que a denúncia colombiana representa "outra onda de ataques" contra seu país.

Planejamento no país vizinho

Pouco antes de mostrar à OEA as supostas evidências sobre uma suposta presença de líderes guerrilheiros na Venezuela, a Colômbia assegurou que há indícios de que ações terroristas são planejadas a partir do país vizinho. Durante uma conversa com a rádio colombiana Caracol, Hoyos informou que essa seria uma das provas a ser apresentadas na sessão extraordinária do órgão.

"Há alguns grupos que estão fortemente espalhados na Colômbia, e muitos dos cabeças conseguiram voar até a Venezuela, e ali estão à vontade e preparam ações contra a Colômbia", declarou o diplomata.

De acordo com Hoyos, a intenção de Bogotá ao mostrar à OEA as bases de suas acusações é "evidenciar o dano que é feito à segurança da Colômbia e da própria Venezuela ao tolerar a presença crescente de líderes de grupos que, fugindo das autoridades colombianas, encontram refúgio e amparo em acampamentos organizados" no território vizinho.

O embaixador manifestou ainda que seu governo está aberto a um diálogo direto sério e disposto a dar cooperação às forças de ordem e administrativas do país de Chávez.

"A Colômbia quer que isso volte à normalidade, mas isso não pode acontecer simplesmente com a tolerância à presença de grupos criminais", apontou, exortando para que "finalmente o governo venezuelano atue enfrentando o crime, perseguindo o delito".

Colômbia e Venezuela mantêm suas relações diplomáticas congeladas desde julho de 2009, quando Chávez foi acusado por autoridades da nação vizinha de contrabandear armas a guerrilhas. As tensões aumentaram com a assinatura de um acordo entre a administração de Uribe e os Estados Unidos, que permite o uso de bases do país sul-americano por militares americanos.

*Com AFP e Ansa

    Leia tudo sobre: VenezuelaHugo ChávezColômbiaOEAFarc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG