Gustav testará sistema de defesa pós-Katrina de Nova Orleans

A tempestade gigantesca provocada pelo furacão Katrina inundou Nova Orleans em agosto de 2005. Agora, com a aproximação de uma outra tempestade poderosa, será que a catástrofe de 2005 pode se repetir?

BBC Brasil |

Medidas de proteção contra inundações são assunto de debates calorosos em Nova Orleans há mais de quatro décadas - desde que o furacão Betsy devastou a cidade em 1965.

Depois de Betsy, um novo sistema foi proposto - mas muitas das medidas ambiciosas foram arquivadas e um programa modesto de reparos em aterros e construção de barragens de concreto foi adotado.

O Katrina provou quão inadequadas eram essas medidas.

A onda provocada pela tempestade subiu pelos canais desde os lagos Pontchartrain e Borgne, a força da água rompendo aterros e barreiras.

Em outras áreas, a onda passou por cima das paredes e desabou no solo, desgastando a terra, enfraquecendo as barreiras e fazendo com que rompessem.

A chuva pesada contribuiu para os problemas e cerca de 80% da cidade ficou debaixo d'água.

Cem Anos

O prefeito da cidade, Ray Nagin, explicou que a destruição das barreiras e aterros é preocupante porque Nova Orleans tem o formato de uma tigela.

Segundo ele, o centro da cidade estaria situado no fundo da tigela, área com altitude inferior à do nível do mar.

Se a água ultrapassa as defesas, ou se uma tempestade despeja grandes quantidades de água sobre a cidade, a região central está sujeita a sérias inundações.

O Corpo de Engenheiros do Exército, encarregado de reconstruir as defesas da cidade, diz que, um ano após o dilúvio já havia restituído o sistema de volta ao nível em que se encontrava antes do Katrina.

"Mas não devolvemos as defesas ao nível pré-Katrina e paramos", disse o major Tim Kurgan, porta-voz do Corpo de Engenheiros. "Nós seguimos adiante".

Ele disse que os aterros e barreiras foram reconstruídos - muitos fortalecidos com cabos de aço com mais de 30 metros de altura.

Aprendendo as lições do Katrina, os engenheiros protegeram as barreiras contra desgastes do solo e - uma medida crucial - instalaram portões para controle da vazão de água em vários pontos do sistema de canais da cidade.

Se os portões forem fechados, novas estações de bombeamento de água - descritas pelo prefeito Nagin como "as melhores do mundo" - começarão a bombear água da chuva para fora dos canais.

Até 2011, o Corpo de Engenheiros do Exército pretende ter instalado um sistema de proteção suficiente para suportar a chamada "tempestade dos cem anos" - um grave evento meteorológico cuja probabilidade de ocorrer é estimada em torno de 1% a cada ano.

Efeito Funil

Ainda assim, persiste a dúvida sobre as defesas da cidade e o trabalho do Corpo de Engenheiros está sob constante observação.

Com a aproximação do furacão Gustav, o chefe do Departamento de Segurança Nacional americano, Michael Chertoff, disse que a cidade está melhor preparada do que antes do Katrina.

Mas acrescentou que há uma "possibilidade real" de que a água ultrapasse as barreiras se o Gustav atingir a cidade com a força de uma tempestade de Categoria Quatro.

"A chuva é um fator importante aqui. Mesmo que não haja ultrapassagem (das barreiras), pode haver inundação", disse.

O prefeito Nagin expressou particular preocupação com áreas da cidade onde o trabalho de defesa ainda está em andamento.

Ele disse que o lago Borgne, no leste da cidade, tende a criar um "efeito funil" e forçar a água na direção do Industrial Canal - o que provocou grande inundação durante o Katrina.

Ele disse também que os aterros na região da West Bank não tinham sido fortalecidas ou elevadas até a altura dos aterros na East Bank.

Ele acrescentou que há obras em andamento no Harvey Canal, mas disse que ainda há várias lacunas nas defesas no local.

O prefeito disse que essas questões podem levar a inundações graves.

Apesar de ainda haver muito por fazer, o major Kurgan, do Corpo de Engenheiros do Exército, disse que confia no trabalho realizado.

"As defesas estão melhores do que nunca", disse. "Mas ainda estamos conscientes de que uma onda provocada por uma tempestade pode inundar o sistema".

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