Gustav mata 23 no Caribe e vai para Golfo do México

PORTO PRÍNCIPE - A tempestade tropical Gustav se afastou do Haiti e da República Dominicana na quarta-feira depois de matar 23 pessoas, e pode se tornar um furacão perigoso nos campos de petróleo do Golfo do México.

Reuters |

Os preços do petróleo subiram pelo segundo dia com o surgimento de Gustav, que parece ser a primeira tempestade a ameaçar seriamente as instalações energéticas dos Estados Unidos no Golfo desde os furacões Rita e Katrina em 2005. A região do Golfo abriga um quarto da produção de petróleo dos EUA e 15 por cento da produção de gás natural.

Embora a tempestade possa atingir qualquer trecho do território norte-americano entre o noroeste da Flórida e o Texas, seu destino mais provável é a cidade de Nova Orleans, que foi devastada pelo furacão Katrina em 2005.

De acordo com projeções, o Gustav deve atingir a Costa do Golfo norte-americana na segunda-feira, dois dias depois do terceiro aniversário do Katrina, que matou 1.500 pessoas e causou pelo menos 80 bilhões de dólares em prejuízos em diversos Estados.

O governador da Louisiana, Bobby Jindal, colocou os residentes de Nova Orleans em alerta, dizendo que desocupações podem começar na sexta-feira. Companhias energéticas começaram a trazer para terra seus funcionários que estavam em plataformas de petróleo no mar.

A sétima tempestade de uma temporada surpreendentemente ativa de furacões no Atlântico ficou por um tempo perto do Haiti, país empobrecido de 9 milhões de pessoas, onde chuvas pesadas são responsáveis por deslizamentos de terra e quedas de árvores.

As chuvas torrenciais do Gustav provocaram inundações e deslizamentos que mataram pelo menos oito pessoas na República Dominicana e 15 no vizinho Haiti, segundo autoridades. Havia previsões de até 620 milímetros de chuvas.

Entre os mortos no Haiti, pelo menos três foram vítimas de um deslizamento; uma mulher morreu tentando atravessar um rio e outra pessoa foi atingida por uma árvore, disseram autoridades.

Na República Dominicana, sete pessoas da mesma família ficaram soterradas num deslizamento em uma cidade ao norte de Santo Domingo.

CONTRA O FURACÃO, A REVOLUÇÃO

Às 18h (hora de Brasília), a tempestade estava 150 quilômetros a sudeste de Guantánamo (Cuba), deslocando-se a oeste-noroeste a cerca de 6 quilômetros por hora, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA.

Ao passar sobre as montanhas do Haiti, seus ventos regulares caíram para 85 quilômetros por hora. Para ser um furacão, a tempestade precisa ter ventos superiores a 119 quilômetros por hora.

Mas Gustav deve voltar a ganhar força sobre as águas quentes ao sul de Cuba, e deve se tornar o primeiro grande furacão desta temporada no golfo do México.

Grandes furacões são aqueles que atingem uma categoria maior ou igual a 3 na escala de intensidade Saffir-Simpson, que tem 5 graus.

'Há uma grande probabilidade que a tempestade será de categoria 3 ao entrar no Golfo. Ela terá potencial para se tornar uma tempestade de categoria 4 ou 5 depois', disse John Kocet, um meteorologista da AccuWeather.

O Katrina e o Rita eram furacões de grau 5 no Golfo quando cortaram cerca de um quarto da produção norte-americana de petróleo e gás, danificando plataformas e oleodutos.

O Gustav poderia cortar 85 por cento da produção nas plataformas norte-americanas no golfo, informou a empresa de meteorologia Planalytics.

Modelos climáticos indicam que a tempestade deve fazer uma curva entre Cuba e a Jamaica, passando perto das prósperas ilhas Cayman e então sobre o extremo oeste cubano.

As autoridades já retiraram cerca de 50 mil pessoas de áreas alagáveis do leste de Cuba, segundo a TV estatal.

O ex-presidente Fidel Castro elogiou num artigo pela Internet a capacidade da ilha em lidar com tempestades.

Aproveitou para criticar os EUA, fazendo alusões à crise humanitária pós-Katrina. 'Felizmente temos uma Revolução! Está garantido que ninguém será esquecido. Se vidas forem perdidas, não serão centenas ou milhares.'

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