Gurus da tatuagem exibem seus dotes artísticos na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela Bangcoc, 17 jan (EFE).- Os gurus da tatuagem de todo o mundo viajaram neste fim de semana a Bangcoc para exibir suas habilidades artísticas sobre a pele na Convenção Internacional da Tatuagem, o primeiro evento deste tipo realizado na Tailândia.

EFE |

Os trajes de jaqueta e computadores frequentes no centro de conferências Impact, nos arredores da cidade, deram passagem à tinta, às agulhas e às peles decoradas, assim como à tribo mais variada de roqueiros, surfistas e místicos urbanos.

Alguns dos professores da tatuagem presentes foram o austríaco Mick Tattoo, o japonês Shige, o americano Mike Ledger, o italiano Federico Ferroni, o chinês Fu Hailin e o tailandês Arjan Noo, conhecido por ter tatuado as costas de Angelina Jolie.

A dor das agulhas e a ardência posterior não impediram dezenas de jovens e não tão jovens de submeterem-se às mãos destes artistas, que assinam suas obras de arte com sangue e tinta.

"Dói um pouco, mas finalmente terei a tatuagem que sempre quis: uma flor no tornozelo", declara à agência Efe uma jovem canadense que ainda esperaria mais três horas para ver sua imagem finalizada.

O britânico Steven Gigaskas nem se move enquanto seu compatriota Jonah Colin desenha sobre seu amplo peito o deus hindu Hanuman, reconhecível por sua forma de macaco, muito popular na Tailândia.

"Comecei a me tatuar há dez anos e há sete vivo na Tailândia", explica Gigaskas, que tem as costas totalmente coberta por tatuagens, com símbolos, letras e personagens mitológicos tailandeses realizados por monges budistas.

A tradição das tatuagens tailandesas se remonta ao período do Império Khmer no século XII, quando se pensavam que os guerreiros protegiam os tatuados contra as flechas do inimigo.

Este cenário mágico e supersticioso perdura hoje em dia e são muitos policiais, soldados e até criminosos que expõem sua pele à agulha para receber os supostos poderes protetores.

"As tatuagens das costas foram realizadas por monges, que também fizeram uma cerimônia espiritual", afirma Gigaskas, antes de seis horas de espera e dor para ter seu "Hanuman" no peito.

"A cada ano vou de novo ao templo para renovar as tatuagens, é algo espiritual que percebo a cada dia, mas que não se pode explicar com palavras", assegura.

A tatuagem na Ásia é uma moda sofisticada, afastada dos Popeyes, âncoras e "amor de mãe" típicos de marinheiros, soldados e moradores de prisões no Ocidente.

Talvez os professores mais requisitados, além dos tailandeses, sejam os tatuadores japoneses, onde esta arte sobre a pele se remonta ao século XVI.

"O extraordinário e maravilhoso da tatuagem no Japão é que é uma tradição que se estendeu de geração em geração durante séculos, a tatuagem fascinou desde sempre os japoneses", relata o mestre japonês Horitsuna.

Frente à tatuagem clássica tailandesa, monocromática e composta principalmente por símbolos e letras, o japonês tende mais a representações de seres mitológicos como dragões, que cobrem grandes porções de pele com várias cores.

"As tatuagens no Japão remontam a quatro séculos atrás, durante o período Edo", explica Horitsuna, para quem a estética é uma desculpa para uma arte fortemente carregada de espiritualidade.

Durante a convenção, o artista Mick Tattoo protagonizou um episódio infeliz ao exibir suas genitais de forma desafiante diante de uma câmera.

Aparentemente, se incomodou porque não tinha sido pedido permissão para gravarem imagens enquanto estava com um grupo de admiradores, apesar de se tratar de um evento público para o qual os meios de comunicação tinham sido convidados. EFE grc/fm

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