Guiné-Bissau volta à calma após ataque frustrado à residência presidencial

Dacar, 23 nov (EFE).- A calma voltou a Guiné-Bissau, após o fracassado levante militar registrado hoje, no qual um grupo de soldados amotinados atacou com armas pesadas a residência do presidente, João Bernardo Vieira, uma semana após as eleições legislativas no país.

EFE |

Segundo informações do Governo de Guiné-Bissau divulgadas por emissoras regionais, um dos soldados rebeldes foi o único morto nos confrontos com as forças leais a Vieira, que deixaram cinco feridos, em um país que há anos vive um constante estado de instabilidade política.

O ministro do Interior guineense, Cipriano Gassama, disse aos jornalistas que a tranqüilidade foi restabelecida na capital e a situação está controlada nas imediações da residência do presidente, que se encontra em perfeito estado, assim como a família do chefe de Estado.

Os serviços de segurança detiveram, segundo Gassama, cinco dos militares que protagonizaram o ataque e realizam investigações para esclarecer o ocorrido.

A última suposta tentativa de golpe de Estado em Guiné-Bissau foi frustrada pelos serviços de segurança em 8 de agosto, com a detenção do ex-comandante-em-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, que ficou sob prisão domiciliar e conseguiu fugir para a Gâmbia, onde foi detido de novo.

Comentaristas locais já vincularam o levante de hoje com a divulgação na sexta-feira passada dos resultados das eleições, que dão como vencedor absoluto o Partida Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), com 67 cadeiras.

Segundo a Presidência senegalesa, Vieira falou por telefone hoje com o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, a quem confirmou que havia soldados em frente à residência presidencial.

Wade ofereceu a Vieira uma aeronave para facilitar sua saída, se precisasse, mas o líder da Guiné-Bissau rejeitou a oferta e disse que permaneceria no país para enfrentar o que denominou "um motim protagonizado por uma parte do Exército".

O governante senegalês pediu aos amotinados que retornassem a seus quartéis e que a União Africana (UA) e a Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) tomassem medidas para resolver a crise.

O presidente senegalês anunciou que tinha reforçado a vigilância militar da fronteira com a Guiné-Bissau.

Em comunicado enviado à Agência Efe, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, condenou a ação contra a Presidência da Guiné-Bissau e advertiu que a organização rejeita de antemão "qualquer mudança constitucional" que pudesse surgir de um levante militar.

Ping lembrou que as eleições legislativas de uma semana atrás ocorreram em condições "totalmente satisfatórias", segundo os observadores internacionais que supervisionaram a votação.

Nestas circunstâncias, Ping pediu que os atores políticos do país aproveitem o bom desenvolvimento das eleições para "aprofundar" o processo democrático em Guiné-Bissau e "vencer os desafios da pobreza".

Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, com uma renda per capita de US$ 150, está em meio ao caos há anos, situação agravada pela instabilidade política, por causa do conflito armado de 1998 a 1999, no qual Vieira foi derrubado, após 19 anos na Chefia do Estado.

Vieira, militar reformado, chegou ao poder em 1980, após derrubar, em um golpe militar, o primeiro presidente do país, Luis Cabral, que chegou ao cargo após a independência de Portugal, em 1974.

Entre 1999 e 2005, Vieira ficou exilado em Portugal e retornou há três anos, para ganhar o pleito presidencial como candidato independente, em um mandato que deve terminar em 2010. EFE st/an

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