Guia supremo do Irã acusa inimigos externos; reformistas pedem referendo

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, voltou a acusar os inimigos externos da República Islâmica de terem apoiado, através dos meios de comunicação, os distúrbios posteriores à reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, ao mesmo tempo em que os reformistas exigiram um referendo no país como forma de sair do impasse.

AFP |


O ex-presidente Mohammad Khatami pediu, nesta segunda-feira, a realização de um referendo a respeito da legitimidade do governo após as eleições de junho, através da Associação de Religiosos Combatentes (ARC), dirigida por ele e que reúne os religiosos reformistas.

Segundo comunicado da ARC, "na medida em que milhões de iranianos perderam a confiança no processo eleitoral, a organização exige a realização de um referendo" convocado "por órgãos independentes".

De acordo com a Constituição iraniana, apenas o aiatolá supremo Khamenei pode ordenar a realização desse tipo de votação.

Khatami e o candidato presidencial derrotado Mir Hossein Mousavi, assim como a oposição do Irã, afirmam que a eleição foi fraudulenta.

Ao mesmo tempo, Esfandiar Rahim Mashaie, o primeiro vice-presidente, um personagem controverso muito ligado ao presidente, desmentiu que estivesse demissionário.

"A intervenção dos estrangeiros e, em particular, de seus meios de comunicação é muito clara, mas a pretensão de que não conseguem intervir nos assuntos internos é um sinal de sua desonra", declarou Khamenei, em um discurso pronunciado ante os dirigentes do país.

O guia supremo se referia à pior crise vivida pelo país desde a Revolução Islâmica de 1979: as manifestações ocorridas depois da reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad no dia 12 de junho com 63% dos votos e que deixaram 20 mortos, segundo cifras oficiais.

A República Islâmica acusa, em particular, a Grã-Bretanha de ter provocado os protestos. Nove empregados iranianos da embaixada britânica em Teerã ficaram detidos por vários dias e o correspondente da BBC foi expulso do país.

Já Mousavi, que denunciou uma fraude eleitoral, exige a libertação dos "presos políticos", segundo seu site Ghalamnews.

O primeiro vice-presidente também se serviu de sua página web para desmentir o canal oficial em inglês Press-TV que, domingo, anunciou sua demissão do cargo.

Milhares de partidários da oposição foram às ruas do país depois do anúncio dos resultados para protestar contra a reeleição de Ahmadinejad.

Na sexta-feira passada, outro ex-presidente, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, afirmou que o governo perdeu a confiança de milhões de iranianos, durante sermão na Universidade de Teerã. Ele também pediu que todos os que foram detidos durante os protestos depois da eleição fossem libertados.


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