Guerrilheiros colombianos desertam depois de drogar chefes

Um grupo de 16 guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, fugiu de um acampamento da guerrilha no sul do país depois de drogarem seus comandantes com uma planta típica da selva do país. Depois da fuga, os rebeldes se entregaram ao Exército colombiano no município de Barbacoas, departamento (Estado) de Nariño, região sul, de acordo com informação divulgada nesta terça-feira pelas autoridades do país.

BBC Brasil |

A deserção foi organizada por uma guerrilheira conhecida como "Pilar", que teria colocado uma planta chamada "dormilona" na cama dos chefes do comando guerrilheiro.

Em seguida, de acordo com relatos da rebelde à imprensa local, ela teria desarmado os fuzis dos chefes para poder escapar, junto aos outros guerrilheiros.

"Essa erva dá na selva e a untamos no lugar onde dormiam os comandantes para deixá-los (dormir) profundamente durante cerca de oito horas, para poder tomar um bom tempo de vantagem (para escapar)", afirmou "Pilar" à rádio Caracol.

De acordo com o código de conduta das guerrilhas colombianas, depois que uma pessoa ingressa ao grupo armado, já não há possibilidades de abandonar a luta armada. A tentativa de deserção é penalizada com a execução do guerrilheiro.

O ELN é a segunda principal guerrilha de esquerda da Colômbia, atrás apenas das Farc (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia).

Assassinato
"Pilar" afirmou em entrevista à rádio W que uma das razões que a levou a abandonar a luta armada foi o assassinato de membros de sua família, acusados pela Cúpula do ELN de serem colaboradores do Exército.

De acordo com o general colombiano, Justo Eliseo Peña, comandante da Terceira Divisão do Exército, outro motivo que levou Pilar a deserção foi o "sequestro" de sua filha de quatro anos, nascida no acampamento guerrilheiro, a mando da cúpula do grupo.

"Quando viu isso, ela começou a pensar na saída desse inferno, dessa atividade criminosa", afirmou Peña.

Os 16 guerrilheiros esperam receber ajuda da política de desmobilização do governo que prevê apoio econômico, jurídico e a promessa de serem recolocados em alguma atividade de trabalho.

De acordo com dados do governo, desde 2002, mais de 16 mil guerrilheiros desertaram, aderindo ao programa governamental de desmobilização.

Este período coincide com o reforço da ajuda militar dos Estados Unidos à Colômbia - período em que o governo de Álvaro Uribe decidiu fechar o cerco militar contra as guerrilhas, adotando a via militar e não a negociada como alternativa ao conflito armado que dura mais de 50 anos.

As Farc também têm sido duramente afetadas com a desmobilização de importantes chefes intermediários do grupo que nos últimos meses vêm aceitando o pagamento de recompensas em troca de informações ou da entrega de reféns sequestrados pela guerrilha.

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