A comandante guerrilheira colombiana Karina, que desertou das Farc após 24 anos de militância, assegurou nesta terça-feira à imprensa que nunca soube de acordos com os governos de Hugo Chávez da Venezuela ou de Rafael Correa do Equador.

"Nós admiramos o presidente Chávez, mas nunca soube de acordos, negociações ou qualquer outra coisa com ele ou com o presidente Correa", afirmou Nelly Avila, conhecida como "Karina", uma dirigente das Farc de 40 anos que se entregou no último domingo.

"Karina" reconheceu que tomou essa decisão devido à pressão do Exército e por medo de ser assassinada como ocorreu com sete membros do 'secretariado' (cúpula) das Farc, todos assassinados em março por um subalterno para receber uma recompensa.

O governo "ganhou a batalha sobre mim, não sei se ganhará sobre as Farc, porque há muitas pessoas dedicadas à causa revolucionária", admitiu.

Considerada pelo Exército uma das mais "sanguinárias" combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e responsável por vários massacres, a mulher negou essas acusações.

"Acusam-me de muitos massacres e de muitas coisas que não cometi", disse. "Não sou tão sangüinária como dizem, me considero uma 'humanista', que teve que combater, mas não por prazer", explicou.

"Farei tudo para colaborar com a justiça, mas não aceito que me acusem de tantas coisas e que digam que sou o pior que há", defendeu-se "Karina", que também negou que as Farc sejam financiadas pelo cultivo ilícito.

"Karina" disse ainda que apesar de ter desertado não concorda com os que considerem seus antigos companheiros terroristas. "Para mim as Farc não são uma organização terrorista, há confrontos e os excessos ocorrem em todos os lados", afirmou.

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