Bogotá, 19 mai (EFE) - A guerrilheira colombiana Karina, a mulher de maior hierarquia atualmente dentro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e acusada de matar, há 25 anos, o pai do agora presidente do país, Álvaro Uribe, pediu hoje aos rebeldes do grupo para aderir ao programa de reinserção do Governo. A insurgente, cujo verdadeiro nome é Nelly Ávila Moreno, se entregou domingo às autoridades nas montanhas do departamento de Antioquia (noroeste) e, hoje, foi apresentada à imprensa em um quartel de Medellín, capital da região. As autoridades colombianas consideraram a rendição da rebelde outro golpe contundente contra as Farc, que, segundo a própria Karina, estão divididas. A guerrilheira se entregou no domingo junto com seu companheiro, identificado como Michín, depois de concordar com o Departamento Administrativo de Segurança (DAS, inteligência estatal) que lançaria sinais de fumaça para que um helicóptero a resgatasse. Ela levava junto a si uma filha pequena. Karina admitiu que estava cercada e que, por isso, não teve mais saída além de se render, indicaram as autoridades. No entanto, a guerrilheira afirmou que não é responsável pela maioria dos crimes de que é acusada e não dirigia a frente 47 das Farc há dois anos. Acusam-me de muitas coisas das quais não fui autora nem material nem intelectual, expressou a combatente, acrescentando que também a tacharam de mulher violenta. A mensagem que envio ao povo ...

"O que fez Karina é o caminho que todos devem tomar", destacou.

A facção da guerrilheira, que, em seus melhores tempos, teve 300 combatentes, ficou reduzida a menos de 50.

Acredita-se que a frente 47, criada em 1995 e responsável por ataques a povoações e seqüestros de fazendeiros da região cafeeira, estava quase dissolvida em março, quando "Ivan Ríos", um dos membros da cúpula das Farc que tentava recompor a frente, foi morto por seus guarda-costas para obter a recompensa oferecida pelo Governo.

A guerrilheira também negou conhecer o destino do ex-congressista Óscar Tulio Lizcano, seqüestrado em agosto de 2000 pela frente 47 em Caldas e um dos 40 políticos, soldados e policiais que a guerrilha deseja trocar por 500 rebeldes presos.

A rendição de Karina se juntou a outros golpes desferidos contra as Farc nos últimos meses.

O mais grave foi a morte do "número dois" Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", em um bombardeio a um acampamento ilegal das Farc em território equatoriano em 1º de março, em uma operação na qual morreram outras 25 pessoas. EFE gta/rb/db

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