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Guerrilha das Farc perde a jóia da coroa e enfrenta momento negro

Com o resgate de 15 reféns, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt, as Farc perderam seu grande trunfo justamente no momento em que atravessam seu pior momento em 44 anos de luta guerrilheira, com a perda de vários líderes e sérios problemas logísticos e de comunicação.

AFP |

A guerrilha tem "que replanejar toda a sua atuação. Tem que dar uma parada em seu caminho, pois sem esses seqüestrados não tem a mesma capacidade de pressionar o governo", disse Carlos Eduardo Jaramillo, ex-conselheiro de paz.

As Farc ainda mantêm pelo menos 24 reféns em seu poder, todos colombianos e nenhum deles com a relevância política da ex-candidata à Presidência colombiana, ou com a importância estratégica dos três funcionários norte-americanos de uma empresa contratada pelo Pentágono.

"O fato de os seqüestrados que permanecem em poder das Farc não serem relevantes politicamente, deixa claro que não vão poder continuar usando o seqüestro como arma política", explicou Jaramillo.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) perderam em março seu líder histórico, Manuel Marulanda, vítima de uma parada cardíaca, e outros dois dos sete membros de seu secretariado (cúpula).

Vários de seus membros que se entregaram ou desertaram também admitem que as Farc, com problemas de abastecimento e comunicação, parecem estar seriamente debilitadas, como ficou claro com a estratégia usada pelo Exército para infiltrar o comando que vigiava os seqüestrados e obter a libertação.

O governo colombiano estimou no início deste ano que as Farc tinham entre 6.000 e 8.000 combatentes, menos da metade do número de membros de 2002, quando o presidente Uribe chegou pela primeira vez ao poder.

Apesar disso, a guerrilha mantém uma forte influência em vastas regiões, especialmente em departamentos do sudeste como Guaviare, Caquetá, Putumayo e Nariño, onde existem grandes plantações de folha de coca que permitem o financiamento de suas atividades, segundo asseguram as autoridades.

Também se apóiam no inconformismo gerado pela pobreza na qual vive mais da metade da população (53%). Mais de 3 milhões de pessoas não têm renda, e fora das grandes cidades a infra-estrutura de serviços públicos é quase inexistente.

"É errado dizer que as Farc foram derrotadas, mas estão muito enfraquecidas", ressaltou Ingrid Betancourt aos jornalistas após seu resgate por militares que se fizeram passar por guerrilheiros e que foram à selva em um helicóptero para supostamente transferir os reféns.

Betancourt, ao se referir aos problemas de logística enfrentados pelas Farc, ressaltou que nos últimos meses os reféns "comeram muito pouco, com pouquíssima variação na comida, zero frutas, zero verduras. Isso é um sinal de que a logística pode estar em dificuldades", disse.

"Esse é um duro golpe, que repercute na desmoralização mas não é o fim da guerrilha", frisou o jornalista e dirigente do Partido Comunista Carlos Lozano, que foi autorizado pelo governo colombiano a intermediar com as Farc a busca por um acordo humanitário.

Lozano acredita que Alfonso Cano, que assumiu o comando das Farc no lugar de Marulanda, tem uma oportunidade histórica de dar um giro na luta que esse grupo trava desde 1964.

"Espero que sirva para que cheguem à conclusão de que a confrontação bélica não é a saída, para que libertem os demais seqüestrados e se decidam por uma saída política", afirmou.

hov/dm

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