Guerrilha das Farc anuncia que libertará seis reféns

Em comunicado, grupo rebelde afirma que entre os reféns estão três policiais sequestrados há mais de dez anos

iG São Paulo |

As rebeldes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta terça-feira que planejam libertar seis reféns que estão em seu poder há mais de uma década.

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Em comunicado publicado em seu site, as Farc afirmaram que os seis serão soltos assim que os detalhes forem organizados. As Farc disseram que entre os seis que serão libertados estão os policiais Jorge Trujillo, Jorge Romero e José Libardo Forero, que form sequestrados na região sul da Colômbia em 11 de julho de 1999.

"Com essa saudação de Ano Novo (...) informamos os nomes de três dos seis prisioneiros de guerra em nosso poder que serão entregues (...) tão logo sejam acertados os protocolos necessários", afirmou o comunicado assinado pelo Secretariado das Farc.

Os rebeldes afirmaram que, em breve, anunciariam as identidades dos outros três reféns. Eles devem ser entregues à ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, que lidera a ONG Colombianos e Colombianas pela Paz, grupo de outras mulheres que tem procurado promover iniciativas pela paz e que recebeu anteriormente outros sequestrados libertados pelas forças rebeldes.

Mais de dez reféns, incluindo oito policiais e quatro soldados, estão sob o poder das Farc por mais de uma década. O grupo guerrilheiro de esquerda luta contra o governo colombiano desde 1964 e é estimado que seu contingente conte com entre 8 mil e 9 mil soldados.

O líder das Farc Timoleón Jimenez fez novamente uma proposta no início do mês para libertar reféns em troca da soltura de guerrilheiros. O presidente colombiano, Juán Manuel Santos, rejeitou a troca e exigiu que os rebeldes libertem todos os seus prisioneiros de maneira unilateral como um passo necessário para as partes travarem um diálogo.

No comunicado divulgado nesta terça, os líderes da Farc advertiram "ao governo nacional e à cúpula militar que não irão repetir o ocorrido do dia 26 de novembro no Caquetá", quando membros do grupo insurgente mataram quatro reféns - três policiais e um soldado - sequestrados há mais de 12 anos, argumentando uma suposta tentativa de resgate por parte das forças públicas. Um quinto refém conseguiu se salvar , fugindo para a floresta.

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No entanto, o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, denunciou na época que os reféns foram assassinados depois que tropas do exército que seguiam rastros de uma facção das Farc entraram em combate surpresa com os rebeldes.

O estatal Instituto Médico Legal certificou que os militares e policiais foram executados pelas costas com disparos de armas de fogo de alta velocidade e alguns deles atingidos com tiros na cabeça.

No último sábado, o jornalista Carlos Lozano, membro do grupo Colombianos e Colombianas pela Paz, havia antecipado que as Farc se comprometeram a deixar em liberdade em janeiro seis membros da força pública. "Já existe compromisso das Farc. São seis os que serão libertados e acredito que isso poderá se concretizar na segunda metade do mês de janeiro", afirmou Lozano, diretor do semanário esquerdista Voz, à emissora Caracol Rádio.

Criado em 2008, o Colombianos e Colombianas pela Paz é um grupo de intelectuais de esquerda liderado por Piedad Córdoba.

Córdoba, que participou em libertações anteriores de sequestrados, foi destituída de seu cargo de senadora pelo Congresso em novembro de 2010, depois que foi sancionada pela Procuradoria, que considerou que tinha ligações com as Farc.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, indicou em várias ocasiões que está disposto a iniciar aproximações em direção a um processo de negociação de paz com as guerrilhas, sempre e quando elas mostrarem sua disposição mediante a libertação dos militares sequestrados, com o não recrutamento de menores de idade e a suspensão dos atos terroristas.

As últimas negociações de paz entre as Farc e o governo fracassaram há quase uma década.

Com AFP e AP

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