Guerras e eleições polêmicas foram perigos para imprensa em 2009, diz RSF

Paris, 30 dez (EFE).- As guerras e as eleições polêmicas foram os principais perigos para os jornalistas em 2009, segundo um balanço divulgado hoje pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que afirmou que este ano foi marcado pelo maior massacre de jornalistas em um dia, ocorrido nas Filipinas.

EFE |

O assassinato de 30 repórteres na ilha filipina de Mindanao aconteceu quando cobriam a tentativa de um opositor de se inscrever como candidato às eleições regionais de 2010, indicou a RSF, em seu resumo anual.

A organização revelou um aumento de 26% no número de jornalistas assassinados em 2009, que leva seu número a 76, a maior parte deles na Ásia (44), seguido da África (12), Europa (7), Magrebe e Oriente Médio (7) e América (6).

As agressões ou ameaças cresceram 56%, para 1,456 mil, os meios de comunicação censurados aumentaram 61%, para 570, e os jornalistas sequestrados foram 33, 13% a mais.

Embora as detenções tenham diminuído em 14% (573), 157 jornalistas tiveram que se exilar, a maior parte deles fugindo da repressão pós-eleitoral no Irã, depois da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.

Os processos eleitorais também se traduziram em repressão para a imprensa na Tunísia, após a reeleição de Ben Ali, e no Gabão, após a chegada à Presidência de Ali Bongo.

"As eleições plurais, símbolos da democracia e da livre expressão, podem se transformar em um pesadelo para os jornalistas", afirmou a RSF, que denunciou impedimentos ao trabalho jornalístico em alguns processos eleitorais, como os do Afeganistão, Guiné Equatorial e Sri Lanka.

Durante este ano, a RSF constatou que os poderes repressivos intensificaram a luta contra os veículos pela internet e contra blogueiros, tão vigiados quanto os jornalistas da imprensa tradicional.

A organização registrou 110 internautas detidos por ter expressado suas opiniões na internet, um número recorde que "ilustra a repressão sofrida na rede em uma dezena de países".

A China continuou sendo o país que mais censurou a rede, segundo a RSF, que também denunciou um controle estatal no Irã, Tunísia, Tailândia, Arábia Saudita, Vietnã, Uzbequistão e Turcomenistão.

Além das agressões e ameaças contra internautas em diversos países, a organização denunciou também práticas de controle da rede em credenciadas democracias, sob a desculpa de controlar a pornografia infantil ou o download ilegal de arquivos.

A pressão judicial sobre os meios de comunicação levou à prisão de 167 jornalistas no mundo, um número não visto desde 1990. EFE lmpg/an

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