Guerra na Geórgia: Corte Européia intervém a pedido de Tbilisi

A Corte Européia dos Direitos Humanos recomendou hoje à Rússia abster-se de qualquer medida suscetível de ameaçar a vida ou a saúde das populações civis na Geórgia, em seguida a uma solicitação de urgênce das autoridades georgianas apresentada segunda-feira.

Redação com agências internacionais |

A Corte, com sede em Estrasburgo, é encarregada de zelar pelo respeito à Convenção de Salvaguarda dos Direitos e Liberdades Fundamentais e de atribuir uma reparação apropriada às vítimas de eventuais violações.

A Convenção Européia dos Direitos Humanos, foi assinada no Conselho da Europa em 04 de novembro de 1950. Ela entrou em vigor em 1953 e a França a ratificou em 1974.


Soldados russos participam de combate na capital da Ossétia do Sul / AP

Cessar-fogo

O presidente russo, Dmitry Medvedev, aprovou nesta terça-feira um plano de paz proposto pela União Européia e disse que ele oferece uma maneira de resolver o conflito travado com a Geórgia pela região separatista da Ossétia do Sul.

"Acho que esses são bons princípios para delimitar o problema e dar fim a esta dramática situação. Estes princípios podem ser usados tanto pela Geórgia quanto pela Ossétia do Sul", disse Medvedev em uma coletiva, junto com o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Pouco antes de discutir a situação no Kremlin com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, Medvedev deu ordens ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, para "parar a operação para forçar as autoridades georgianas à paz".

"O objetivo da operação foi alcançado", disse Medvedev pela TV. "O agressor foi punido e sofreu perdas muito consideráveis".

Autoridades da Geórgia afirmaram, nesta terça-feira, que jatos russos estão bombardeando vilarejos fora da Ossétia do Sul, dentro do território georgiano, apesar da ordem russa de cessar-fogo.

"Apesar das declarações do presidente russo, que disse nessa manhã que as operações militares na Geórgia foram suspensas, neste momento, jatos de combate russos estão bombardeando dois vilarejos georgianos fora da Ossétia do Sul", disse o governo georgiano em um comunicado.

Tropas continuam na Geórgia

O ministro da Reintegração Georgiana, Temur Yakobashvili, confirmou que as tropas russas detiveram seu avanço em território georgiano, mas não se retiraram. O ministro russo da Defesa, Anatoli Serdiukov, também confirmou que as forças russas detiveram seu avanço na Geórgia.

Segundo o comando russo, a ordem de Medvedev foi obedecida, mas as tropas se manterão em suas atuais posições.

"As unidades que apóiam as forças de manutenção de paz voltaram à sua missão de defesa e, em alguns lugares da Geórgia, continuam retirando suas tropas", informou o chefe adjunto do Estado-Maior russo, general Anatoly Nogovitsin.

Nogovitsin afirmou, no entanto, que o cessar-fogo de suas forças e a interrupção do avanço pelo território georgiano não significam que todas as operações foram abandonadas, como as tarefas de reconhecimento.

Segundo um alto militar russo citado pela Interfax, a ofensiva russa no Cáucaso se dispunha a "enfraquecerr" militarmente a Geórgia para que este país não atacasse as repúblicas separatistas pró-russas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

Intervenção internacional

A Geórgia pediu, na última segunda-feira, uma intervenção internacional e recuou suas forças para proteger a capital, enquanto tropas russas ignoravam os apelos ocidentais e continuavam avançando.

"O Exército georgiano está recuando para defender a capital. O governo busca urgentemente uma intervenção internacional para evitar a queda da Geórgia", disse o governo em nota.

O presidente Mikheil Saakashvili disse que as forças russas assumiram o controle da principal rota leste-oeste, o que na prática significou dividir o país em dois. Ele pediu aos seus cidadãos que fiquem em casa e não entrem em pânico.

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* Com Reuters, AFP e EFE

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