Guerra do Iraque matou mais de 114 mil civis, diz ONG

Cruzando relatório da Iraq Body Count com dados oficiais e do WikiLeaks, número total de vítimas passa de 162 mil

iG São Paulo |

Pelo menos 4.059 civis foram mortos no Iraque em 2011, de acordo com estudo do grupo de direitos humanos Iraq Body Count divulgado nesta segunda-feira. Com isso, passa de 114 mil o número de mortes de civis desde o início da invasão americana no país, em 2003.

Os dados apontam que o número de civis mortos no Iraque em 2011 aumentou em relação ao ano anterior, quando 3.976 vítimas foram registradas.

Segundo o Iraq Body Count, somando estes dados com os números oficiais divulgados pelos governos de Iraque e Estados Unidos, além de um dossiê divulgado pelo site WikiLeaks, acredita-se que a Guerra do Iraque tenha deixado 162 mil mortos, sendo 79% civis.

Os números divulgados pelo Iraq Body Count são maiores do que os anunciados no domingo por autoridades iraquianas. Segundo o governo do Iraque, 2.645 vítimas foram registradas em 2011, incluindo 1.578 civis.

O relatório do Iraq Body Count é divulgado cerca de duas semanas após a retirada das últimas tropas americanas do Iraque.

De acordo com o grupo, os números revelam “a persistência de um conflito de baixa intensidade que vai continuar a matar civis no mesmo ritmo nos próximos anos”. “Só com o tempo vamos saber se a retirada americana afetará a contagem de vítimas”, disse o Iraq Body Count, em comunicado.

O grupo foi criado em janeiro de 2003 por voluntários do Reino Unidos e dos Estados Unidos que queriam "garantir que as consequências humanas da intervenção militar no Iraque não fossem esquecidas", de acordo com o site.

No domingo, iraquianos celebraram a retirada das tropas americanas em uma cerimônia realizada em Bagdá em meio a um forte esquema de segurança.

"Declaro este dia, 31 de dezembro, no qual a retirada das forças estrangeiras do Iraque está completa, como um dia nacional", disse o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, em cerimônia televisionada, cercado por autoridades de segurança em uniformes.

"É o dia do Iraque. É uma festa para todos os iraquianos. É o amanhecer de um novo dia na Mesopotâmia. Seu país está livre”, acrescentou.

Com EFE, Reuters e AFP

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