Guayaquil acolhe campanhas a favor e contra nova Constituição no Equador

Jacqueline Campo.

EFE |

Guayaquil (Equador) 25 set (EFE) - A cidade equatoriana de Guayaquil, também chamada de Pérola do Pacífico, foi o local escolhido tanto pelos partidários do projeto de nova Constituição quanto por seus opositores para encerrar hoje suas campanhas para o referendo.

Com aproximadamente três milhões de habitantes, dos quais 2,3 milhões estão aptos a votar no domingo no referendo que decidirá se o país muda de Constituição, esta cidade se transformou em uma das mais importantes do ponto de vista eleitoral.

Talvez por isso, em Quito, a capital do país, praticamente não haja nada convocado para o fechamento da campanha, enquanto em Guayaquil haverá hoje manifestações em favor do "sim" e do "não", além de um comício do ex-presidente Lúcio Gutiérrez, um dos líderes da oposição ao Governo de Rafael Correa.

O prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, é o outro dirigente que se destacou por sua postura contrária ao projeto elaborado por uma Assembléia Constituinte formada em sua maioria pelo movimento governista Aliança País.

Nebot, advogado de 62 anos, considera que o projeto de Constituição é "centralista" e deixa aberta a possibilidade de uma mudança de moeda, entre outras coisas, e afirmou que não concorrerá às próximas eleições caso o "sim" vença.

Fontes da prefeitura disseram à Agência Efe que o prefeito se somará aos participantes, mas garantiram que não foi ele quem convocou a manifestação a favor do "não" que percorrerá hoje as ruas da cidade.

"Nós não organizamos nada, o que fazemos é nos unir às manifestações populares", disseram.

As manifestações na cidade portenha foram organizadas por estudantes da Universidad Católica de Guayaquil, que rejeitam o projeto de Constituição e concordam com as críticas do prefeito.

Segundo explicou à Efe Ernesto Hortas, um estudante de 24 anos, eles esperam reunir cerca de 50 mil pessoas no estádio de Barcelona, de onde sairão em caravana para percorrer a cidade em protestos contra o projeto da Constituição.

Ao terminarem a passeata, realizarão um "pequeno comício" para explicar suas razões para votarem contra o texto, acrescentou.

O ex-presidente do Equador Lúcio Gutiérrez, destituído em 2005 pelo Congresso após ser acusado de abandono de suas obrigações, prevê outra manifestação na cidade litorânea, também para pedir para que a população vote contra o projeto de Correa.

Gutiérrez considera que a proposta da nova Carta Magna é um "disparate" e afirma que, através dela, o chefe de Estado atual pretende "se perpetuar no poder".

A nova Carta Magna estabelece que o presidente e outras autoridades possam ser reeleitos uma só vez e de maneira imediata.

Os que apóiam o projeto de Constituição também se organizaram para realizar caravanas e, dessa maneira, apoiar Correa, que disse que o referendo é "a última oportunidade pacífica" para mudar a injustiça e desigualdades que existem no país.

Os simpatizantes do novo texto constitucional devem se reunir no estádio Modelo da cidade de Guayaquil, onde realizarão os principais atos de fechamento de campanha com a apresentação de artistas.

Dessa maneira, a Pérola do Pacífico, principal centro econômico e a cidade mais povoada do país, acolhe hoje os simpatizantes do "sim" e do "não", que tentam convencer os que ainda estão indecisos, que, segundo as últimas pesquisas, são mais de 25%. EFE jc/ab/db

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