Guarda Revolucionária iraniana ameaça reprimir novos protestos

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou reprimir duramente qualquer nova manifestação pública em protesto contra o resultado das eleições presidenciais do último 12 de junho. Em uma declaração colocada na página da instituição, a guarda promete reagir de forma revolucionária para reprimir demonstrações não autorizadas.

BBC Brasil |

A Guarda Revolucionária, que é a força de segurança de elite e tem uma ligação direta com o líder supremo do país, afirmou que seus soldados iriam interromper manifestações e retirar os manifestantes das ruas.

Sábado
"Estejam preparados...para um confronto revolucionário com os Guardas, Basij (milícia partidária do governo) e outras forças de segurança e disciplina", teria informado a Guarda segundo a agência de notícias Associated Press.

A milícia Basij, formada por agentes à paisana, esteve envolvida na repressão aos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad realizados ao longo da semana passada.

Na sexta-feira, o aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do país, proibiu a realização de protestos, desencadeando a violência nas ruas durante o sábado. Pelo menos 10 pessoas morreram.

No domingo as ruas da capital iraniana Teerã estavam mais calmas. Mas novos protestos foram planejados para esta segunda-feira.

Partidários da oposição estão passando mensagens pela internet afirmando que planejam levar velas em uma manifestação em Teerã, no final da tarde, em memória aos mortos durante os protestos.

Violência
A violência observada no Irã durante o final de semana levou muitos iranianos a abandonarem os planos de participar de protestos. Um manifestante que já participou de vários protestos, o estudante de 20 anos chamados Behrooz contatado pela BBC várias vezes, afirmou que teme ser atacado se for para as ruas protestar.

"Minha mãe participou do protesto no sábado. Ela não foi ferida, mas viu guardas atacando as pessoas, acertando-as com cassetetes", disse.

O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, afirma que houve fraude a favor do atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição. Os resultados indicaram a vitória de Ahmadinejad por larga vantagem, com 63% dos votos, quase o dobro de Mousavi, o segundo colocado, o que desencadeou os protestos. Mousavi pediu a seus partidários que mantenham os protestos, mas sem colocar suas vidas em risco. Pelo menos dez pessoas teriam sido mortas em choques entre forças de segurança e manifestantes, durante os protestos de sábado. Outras 457 teriam sido presas por conta da violência, de acordo com a rádio estatal iraniana.

Irregularidades
O orgão que supervisiona as eleições no Irã, o Conselho dos Guardiões, reconheceu nesta segunda-feira que houve irregularidades em mais de 50 zonas eleitorais nas eleições presidenciais do último dia 12.

O conselho declarou que o número de votos contados em 50 cidades ultrapassou o de eleitores registrados, mas acrescentou que isso não iria afetar o resultado geral da eleição.

Também nesta segunda-feira, o Ministério do Exterior iraniano acusou países ocidentais de inflamar os protestos contra o resultado das eleições, espalhando "vandalismo e anarquia". Um porta-voz do governo disse que a mídia estrangeira é "porta-voz" de governos inimigos que buscam a desintegração do Irã. Teerã amanheceu quieta, mas tensa, nesta segunda-feira, com segurança reforçada nas ruas para evitar novos protestos como os vistos na semana passada. Contatando o inimigoFalando em uma conferência de imprensa nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior Hassan Qashqavi acusou os governos ocidentais de apoiar abertamente os violentos protestos, com o objetivo de minar a estabilidade da República Islâmica do Irã. "A difusão de anarquia e vandalismo por potencias ocidentais e pela mídia ocidental... não será aceita", disse ele. Segundo o porta-voz, o Ocidente está agindo de maneira "antidemocrática", em vez de elogiar o compromisso do Irã com a democracia. Ele ainda voltou a lembrar que o resultado da eleição não será anulado. Nos últimos dias, o Irã vem criticando fortemente os governos americano e britânico, e Qashqavi citou nominalmente a BBC e a rede Voz da América, qualificadas por ele como "canais do governo". Desde a semana passada, a BBC e outras empresas estrangeiras de mídia vêm reportando do Irã sob severas restrições. No domingo, o governo pediu ao correspondente permanente da BBC em Teerã, Jon Leyne, que deixe o país. "Eles (a BBC e a Voz da América) são porta-vozes da diplomacia pública de seus governos", disse Qashqavi. "Eles têm duas orientações em relação ao Irã: primeiro, intensificar divisões éticas e raciais dentro do Irã e, segundo, desintegrar os territórios iranianos." "Qualquer contato com algum desses canais, sob qualquer pretexto ou qualquer forma, significa contatar o inimigo da nação iraniana."

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