Guarda Revolucionária do Irã ameaça enfrentar manifestantes

Por Hossein Jaseb TEERÂ (Reuters) - A poderosa Guarda Revolucionária do Irã ameaçou nesta segunda-feita combater os protestos de rua na capital Teerã, após o líder da oposição, Mirhossein Mousavi, ter pedido a seus partidários que realizem novas manifestações contra os resultados da eleição presidencial de 12 de junho.

Reuters |

(NOTA DO EDITOR: a Reuters e outros veículos de comunicação estrangeiros estão sujeitos a restrições determinadas pelo Irã na realização de reportagens, filmagens e fotos em Teerã.)

Cerca de 1.000 manifestantes de oposição ignoraram a ameaça e se reuniram em uma praça no centro da cidade, segundo uma testemunha.

"Na atual situação delicada... os Guardas vão firmemente confrontar de uma maneira revolucionária os desordeiros e aqueles que violam a lei", disse um comunicado publicado no site da Guarda na Internet.

O comunicado dos Guardas, que são vistos como os mais leais protetores do regime religioso, foi um sinal claro de qualquer novo protesto contra a reeleição do presidente linha-dura Mahmouud Ahmadinejad será combatida com vigor.

Mousavi, que oficialmente ficou em segundo lugar na eleição que ele afirma ter sido fraudada, pediu na noite de domingo que seus partidários realizem novos protestos.

"Protestar contra mentiras e fraudes (na eleição) é nosso direito", disse ele em um comunicado na Internet.

O governo de Ahmadinejad acusa o Ocidente de apoiar os "desordeiros" nas manifestações nas ruas que abalaram a República Islâmica.

"A promoção da anarquia e do vandalismo pelas potências ocidentais e pela mídia não é aceitável de nenhuma forma", disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Hassan Qashqavi, em entrevista coletiva. Ele não descartou a expulsão de alguns embaixadores estrangeiros de Teerã;

O Irã elevou o tom das acusações de interferência externa em seus assuntos internos após os resultados oficiais das eleições que darem a Ahmadinejad, uma esmagadora vitória sobre Mousavi, o que gerou uma série de protestos promovidos pela oposição.

No domingo, governos ocidentais negaram as acusações de que interferiram nas questões iranianas, alegando que é necessário que se permita a realização de protestos pacíficos e um resultado de eleição justo.

De acordo com o secretário britânico do Exterior, David Miliband, os países estrangeiros não desempenharam nenhum papel nos protestos violentos que ocorreram no Irã após a eleição.

Já Qashqavi disse: "Ao contrário dos padrões reconhecidos internacionalmente... muitos países europeus e a América, em vez de convidar as pessoas para instituições democráticas e enfatizar os canais legais, eles geralmente apoiam os desordeiros e oportunistas."

Questionado se a expulsão de alguns embaixadores era uma opção, Qashqavi disse que não confirmaria nem negaria isso, pois o Irã ainda estuda se tomará alguma medida. Ele também disse que missões iranianas foram danificadas durante protestos relacionados às eleições em países como a Alemanha, entre outros.

"Achamos que ninguém poderia atacar um centro diplomático sem que o governo e a polícia locais fossem informados", disse.

Numa referência à contestada disputa eleitoral entre o ex-presidente republicano dos Estados Unidos George W. Bush e o democrata Al Gore em 2000, o porta-voz disse: "Ninguém encorajou os americanos a realizar tumulto ou algo do gênero, e foi a Suprema Corte que resolveu a questão."

Ele disse que o alto comparecimento às urnas na eleição iraniana, de 85 por cento, é "como uma joia que está brilhando no pico da dignidade da nação iraniana, e não permitiremos que a mídia ocidental transforme essa joia numa pedra sem valor."

(Reportagem adicional de Zahra Hosseinian e Fredrik Dahl)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG