Guarda Revolucionária chega às ruas para impedir protestos no Irã

Javier Martín. Teerã, 22 jun (EFE).- O regime iraniano endureceu hoje a repressão contra as manifestações, com a intervenção da unidade de elite da Guarda Revolucionária, para impedir novos protestos da oposição.

EFE |

Segundo testemunhas, mais de dois mil soldados e milicianos islâmicos Basij armados com paus e barras de ferro foram à Praça de Haft-e Tir, onde se concentraram cerca de mil de manifestantes.

As mesmas testemunhas explicaram à Agência Efe que as Forças de Segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar centenas de homens e mulheres vestidos de preto e que gritavam "Alahu Akbar" (Deus é o maior).

Alguns foram presos nas ruas próximas aos distúrbios, afirmaram as testemunhas.

Como aconteceu anteriormente, a imprensa internacional foi proibida de cobrir os protestos.

A oposição iraniana, que denunciou uma fraude nas eleições presidenciais do dia 12 de junho, tinha convocado um novo protesto nesta segunda-feira, além de uma nova jornada de luto pela morte de oito pessoas em uma manifestação realizada há uma semana na Praça de Azadí, no oeste de Teerã.

Além disso, a oposição quis homenagear a jovem Neda, assassinada a tiros dias antes, quando aparentemente observava uma das manifestações com seu pai no centro da capital.

Hoje, horas antes do início da manifestação, a unidade de elite da Guarda Revolucionária alertou que "atuaria duramente" para evitar os protestos da oposição.

Em comunicado divulgado através de seu site, o grupo advertiu que os manifestantes teriam que fazer frente a "uma dura resposta da Guarda Revolucionária, dos milicianos islâmicos Basij e de outras forças" se continuassem com sua intenção de tomar as ruas.

A presença da Guarda é mais um passo na determinação do regime de acabar com os protestos, já que se trata do corpo mais preparado e melhor armado das Forças de Segurança do Irã.

Sua direção está diretamente ligada ao líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei.

Os Basij que estão espalhados pela cidade, fazendo patrulhas em grupos de motoristas, também dependem da Guarda.

O Irã é palco de manifestações e violentos enfrentamentos há mais de uma semana, que explodiram depois da divulgação da vitória eleitoral, por uma surpreendente maioria absoluta, do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

No domingo, o líder dos protestos, Mir Hussein Moussavi, voltou a chamar seus seguidores a manterem as mobilizações pacíficas, já que "protestar contra as mentiras e a fraude é um direito dos iranianos", disse.

No entanto, a ausência dos líderes da oposição nas ruas, comparada com a presença em massa da polícia, começa a desencantar muitas pessoas que, durante dias, protestaram no centro de Teerã, apesar das ameaças.

Na sexta-feira passada, em um sermão incomum, Khamenei exigiu que a oposição pusesse um fim aos protestos imediatamente e advertiu seus líderes que ele seriam considerados os responsáveis, caso houvesse um "banho de sangue".

Mesmo assim, milhares de pessoas marcharam pela Rua Enguelab, no sábado, em uma manifestação que resultou em enfrentamento nos quais, segundo números oficiais, morreram 13 pessoas.

O Irã acusou os EUA e vários países europeus de interferirem nos assuntos internos do Irã e de apoiar estes distúrbios.

O Governo do país atacou especialmente o Reino Unido, que diz estar "reconsiderando" retomar as relações diante dos fatos ocorridos antes, durante e depois das eleições.

Além disso, expulsou o correspondente internacional da emissora britânica "BBC", John Leyne, que foi acusado de estimular os distúrbios em suas matérias.

Várias associações de estudantes convocaram uma manifestação amanhã, em frente à embaixada britânica em Teerã, para protestar contra a suposta ingerência de Londres nos assuntos internos do Irã.

O Conselho de Guardiães, órgão que deve validar os resultados, deu parte da razão hoje à oposição que denunciou a fraude nas eleições, por admitir que, em pelo menos 50 cidades, houve mais votos do que o número de pessoas registradas para votar.

Mas, em seguida, minimizou a importância deste dado ao assegurar que "só afeta três milhões" de votos e que inclusive é "normal", porque a lei iraniana permite que os cidadãos votem em qualquer cidade e não somente onde estão registrados. EFE jm-msh/pd

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