Guarda iraniana quer que ex-presidente seja julgado

Por Reza Derakashi TEERÃ (Reuters) - A poderosa Guarda Revolucionária do Irã disse no domingo que o líder oposicionista Mirhossein Mousavi, ex-presidente, deveria ser julgado por incitar manifestações depois das eleições em que foi derrotado.

Reuters |

A validade da eleição presidencial de 12 de junho foi questionada dando início à maior crise que o Irã já viveu desde a Revolução Islâmica em 1979. Uma onda de manifestações que já deixaram 26 mortos também expôs crescentes divisões na elite que controla o poder político no país.

"Se Mousavi (e os outros candidatos derrotados), Karoubi e (o ex-presidente Mohammad) Khatami são os principais suspeitos por trás da pequena revolução no Irã, e eles são, esperamos que o Judiciário... prenda-os, julgue-os e puna-os", disse Yadollah Javan, um alto comandante da Guarda, segundo a agência de notícias oficial Irna.

Teerã e outras cidades foram tomadas por protestos depois da eleição, que candidatos moderados dizem haver sido fraudada para garantir a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Mas autoridades iranianas dizem que essa foi a eleição "mais saudável" dos últimos 30 anos.

Agências de notícias do governo dizem que pelo menos 26 pessoas morreram e centenas foram presas em confrontos depois das eleições.

Numa tentativa de acalmar a insatisfação generalizada, o Irã prendeu o chefe da prisão de Kahrizak depois que ao menos três pessoas morreram quando estavam encarceradas no complexo na região sul de Teerã. Enquanto isso, o Judiciário está julgando pessoas detidas nas manifestações pós-eleitorais.

"O chefe do centro de detenção foi demitido e preso. Três policiais que torturaram presos também estão encarcerados", disse o chefe da polícia iraniana Esmail Ahmadi Mghaddam, segundo a IRNA.

Kahrizak foi construída para deter pessoas que tivessem burlado as leis do vício iranianas. Um comunicado da polícia desta quinta-feira confirmou que sérias violações aconteceram em Kahrizak.

Ahmadi-Moghaddam também confirmou que algumas pessoas presas nas manifestações contra o resultado das eleições foram torturados na prisão de Kahrizak, que o supremo líder Aiatolá Ali Khamenei mandou fechar em julho por "falta dos padrões necessários" para preservar os direitos dos prisioneiros.

Websites de moderados informaram que ao menos três manifestantes morreram em Kahrizak, inclusive o filho de um dos principais assessores do candidato conservador derrotado Mohsen Rezaie.

Depois da morte de Mohsen Ruholamini em Kahrizak, o Aiatolá Mahmoud Hashemi-Shahroudi, o mais famoso juiz iraniano, ordenou que seus funcionários visitassem "todas as prisões e centros de detenção."

O problema da prisão aumentou de proporção depois que mais dois prisioneiros morreram no hospital mais tarde.

CORTAR OS PROTESTOS PELA RAIZ

Autoridades dizem que os manifestantes presos foram transferidos para a prisão de Evin em Teerã, onde há muitos presos políticos.

Eles também disseram que cerca de 200 manifestantes continuam presos, inclusive alguns importantes políticos reformistas, jornalistas, ativistas e advogados.

O procurador iraniano Qorbanali Dorri-Najafabadi disse que todas as medidas legais necessárias serão tomadas contra "aqueles que violaram a lei" em Kahrizak, disse o jornal Etemad-e-Melli.

Importantes moderados, inclusive Mousavi e Khatami, já pediram que os presos fossem libertados imediatamente, dizendo que suas confissões foram feitas sob coação.

Numa tentativa de enfraquecer a oposição e para acabar com as manifestações, o Irã realizou dois julgamentos em massa que tinham no banco de réus várias figuras importantes acusadas de ameaçar a segurança nacional ao fomentar manifestações.

Mousavi e Karoubi dizem que o próximo mandato de Ahmadinejad será ilegítimo, num desafio a Khamenei que na segunda-feira endossou formalmente a reeleição do presidente iraniano.

Um grupo de parlamentares conservadores quer apresentar uma queixa contra Mousavi por ser "a força motriz das manifestações," disse a mídia iraniana. Essa decisão pode gerar mais manifestações.

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