Guantánamo não fecha no governo Bush, diz secretário

Por Andrew Gray WASHINGTON (Reuters) - A prisão militar de Guantánamo, onde os EUA mantêm suspeitos de terrorismo, continuará funcionando até o final do governo de George W. Bush, mas o próximo presidente e o Congresso devem agir imediatamente para desativá-la, disse na terça-feira o secretário de Defesa Robert Gates.

Reuters |

Gates, que defende a desativação da prisão desde que assumiu o cargo, no final de 2006, disse a jornalistas no Pentágono que Guantánamo é "um real ônus para os Estados Unidos".

De acordo com ele, o governo Bush concluiu que a desativação da prisão exigiria uma lei especial, que teria poucas chances de ser aprovada no acalorado clima eleitoral atual. "Eis uma questão que terá de ser tratada logo por um novo governo", disse Gates.

A prisão, assim como o sistema judicial especial criado para seus detentos, é amplamente condenada por grupos de direitos humanos e governos do mundo, inclusive aliados dos EUA, segundo os quais ele contaria o direito internacional.

Questionado sobre a possibilidade de a prisão de Guantánamo ser desativada ainda durante o governo Bush, que termina em 20 de janeiro, Gates respondeu: "Não, lamentavelmente".

Os dois principais candidatos a presidente, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, prometeram desativar a prisão, que fica numa base naval dos EUA encravada em Cuba.

Gates disse que seria necessária uma lei, por exemplo, para proibir ex-presos de Guantánamo de se radicarem nos EUA.

NOVO REVÉS

Em mais um revés para os processos de Guantánamo, um funcionário do Pentágono rejeitou na terça-feira todas as acusações contra cinco presos, inclusive um residente na Grã-Bretanha que diz ter sido torturado para confessar planos para uma bomba radiativa.

Desde que foi criada, em 2001, a prisão chegou a ter até 600 suspeitos de ligação com a Al Qaeda e o Taliban, mas hoje tem apenas cerca de 255, a maioria sem acusação formal.

O Pentágono pretende julgar 80 deles por crimes de guerra, mas até agora só conseguiu completar um julgamento e um acordo judicial.

Apesar de defender a desativação, Gates disse que grande parte da má-fama de Guantánamo deve-se aos seus primeiros dias, quando imagens de presos ao ar livre, por trás de arames farpados, chocaram o mundo.

"É provavelmente uma das prisões mais bem-administradas no mundo hoje, mas a realidade é que, por causa do passado, é um verdadeiro ônus para os Estados Unidos. Minha crença é de que o novo governo e o novo Congresso deveriam tratar dessa questão, para que possamos deixá-la para trás e desativá-la", afirmou.

A posição de Gates sobre Guantánamo, contrariando até alguns membros do governo Bush, despertou especulações de que ele poderia ser mantido no cargo no futuro mandato.

O secretário tenta minimizar tais especulações, mas sem rejeitá-las completamente. Na terça-feira, ele disse que pretende ficar só até o final do atual mandato.

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