Guantánamo: justiça francesa investiga denúncias de tortura

A justiça francesa investigará pela primeira vez denúncias de tortura na base militar americana de Guantánamo, apresentadas por um ex-preso que voltou à França há quatro anos, indicaram nesta sexta-feira fontes judiciais.

AFP |

Khaled Ben Mustafah, que ficou três anos nessa prisão, abriu um processo por "torturas e atos de barbárie" em Nanterre, norte de Paris.

Ben Mustafah, detido na fronteira entre Paquistão e Afeganistão após os atentados de 11 de Setembro de 2001, foi entregue às autoridades americanas e, em fevereiro de 2002, foi transferido para Gunatánamo, no extremo leste da ilha de Cuba.

Mustafah disse que foi agredido com uma toalha molhada e pendurado no teto pelas mãos, durante o período que estava em Guantánamo.

O advogado dele, Philippe Meilhac, comemorou a abertura do processo, dizendo que este é "um ponto de partida do reconhecimento trágico do que sofreu em Guantánamo".

Juízes de instrução franceses investigam há três anos as denúncias de sequestro e detenção ilegal apresentadas por outros dois ex-prisioneiros de Guantánamo, Nizar Sassi e Murad Benchellali.

Após sua volta à França entre 2004 e 2005, Ben Mustafah, Sassi e Benchellali, e outros dois ex-prisioneiros, foram julgados por associação ilegal a um grupo terrorista e foram detidos.

Condenados em primeira instância, foram liberados pelo tribunal de apelações de Paris em 24 de fevereiro de 2009.

Barack Obama prometeu o fechamento de Guantánamo em 2010, mas seu governo se esforça para encontrar países que aceitem receber os 226 homens que ainda estão na base militar de Cuba.

mra-arb/lm/fp

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