Guantánamo completa 8 anos entre polêmica de mudança de presos

César Muñoz Acebes. Washington, 10 jan (EFE).- Amanhã faz oito anos que os primeiros suspeitos de terrorismo chegaram a Guantánamo, mas até agora o Governo dos Estados Unidos não concluiu um plano para fechar o centro de detenção, como o presidente Barack Obama disse que faria quando tomou posse.

EFE |

Em 11 de janeiro de 2002 chegou a Guantánamo um avião militar com 20 homens, que viajaram encapuzados e amarrados com correntes ao chão da aeronave, e foram colocados em espécies de jaulas.

Sua chegada transformou uma base até então de segundo escalão, com capacidade militar limitada, na penitenciária mais protegida e polêmica do mundo.

O aniversário ocorre dez dias antes da data limite imposta por Obama para esvaziar as celas, uma promessa que, como já admitiu, não poderá cumprir.

A ordem de fechamento foi um de seus primeiros atos após chegar à Casa Branca, um anúncio carregado do simbolismo da ruptura com a política de seu antecessor, George W. Bush, que tentou transformar Guantánamo em um lugar à margem das leis americanas e do direito internacional.

Obama, porém, não contava em enfrentar a resistência de membros do Congresso, inclusive de seu próprio partido, sobre levar alguns dos detentos aos EUA, ao tempo que superestimou a disponibilidade de seus aliados em aceitar outros reclusos.

Organizações de direitos humanos usaram hoje o aniversário para pressionar Obama a não ceder às reivindicações dos que preferem o status quo.

"O Governo deveria renovar sua promessa de fechar a prisão de forma rápida e responsável", disse a Human Rights Watch em comunicado.

Já a Human Rights First, outra organização humanitária, ressaltou que "a cada dia que a prisão está aberta é um presente para a máquina de propaganda da Al Qaeda".

A tarefa de encontrar um destino para os prisioneiros se complicou para o Governo com o atentado fracassado contra um avião com destino a Detroit no dia do Natal, que teria sido realizado por um nigeriano treinado no Iêmen.

Após ele, a Casa Branca anunciou que deteria as repatriações dos iemenitas, que são o maior grupo de prisioneiros em Guantánamo (92).

O Partido Republicano usou o incidente para retomar sua oposição ao plano do Governo de transferir para território americano alguns detidos de Guantánamo.

"Isso representa um risco enorme e desnecessário", disse o legislador John King na tradicional mensagem de sábado de seu partido.

"Há uma boa razão pela qual o Governo teve tanta dificuldade em enviar esses terroristas a outros países: são o pior do pior, ninguém deveria querê-los", acrescentou King.

Em Guantánamo havia 242 presos quando Obama assumiu a Presidência há um ano e seu Governo libertou ou transferiu 44.

O Governo quer transferir alguns deles à cidade de Thomson, em Illinois, que conta com uma prisão estadual vazia que o Governo federal compraria e adaptaria para elevar seu nível de segurança.

Para isso, seria necessário que o Congresso lhe desse os fundos e modificasse uma lei que só permite a entrada nos EUA de presos de Guantánamo para serem julgados.

O Governo evitou, no entanto, antecipar quando poderiam ser dados esses passos, que considera indispensáveis para fechar o centro de detenção em Cuba.

"Não tenho uma resposta sobre datas", disse na sexta-feira a respeito o porta-voz presidencial, Robert Gibbs.

O Pentágono levaria a Thomson homens que considera perigosos, mas contra os quais não tem provas suficientes para processá-los.

Essa solução também não satisfaz as organizações de direitos humanos.

"Se a Administração continuar a detenção sem acusações não estará fechando Guantánamo, mas levando a prisão para Illinois", advertiu Andrea Prasow, especialista em terrorismo da Human Rights Watch.

Seu desejo é de que o Governo apresente acusações em tribunais ordinários contra os detidos implicados em crimes e envie os demais a suas nações de origem ou a outros países. EFE cma/rr

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