Grupos pró e contra o governo entram em choque no Irã

Emissora estatal diz que novos confrontos ocorreram durante funeral de estudante morto em protesto realizado na segunda-feira

iG São Paulo |

Partidários do governo iraniano entraram em confronto com opositores nesta quarta-feira durante o funeral de um estudante baleado em uma manifestação contra o governo na segunda-feira , informou a emissora estatal Irib.

Sanee Zhaleh foi morto na segunda-feira, durante o primeiro protesto da oposição em mais de um ano, e imediatamente se tornou um mártir para os partidários e para os oponentes do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad. Enquantos os governistas dizem que Zhaleh fazia parte da milícia basijj, opositores afirmam que ele estava no grupo de manifestantes antigoverno.

O confronto ocorreu durante uma procissão do funeral iniciada na Faculdade de Artes da Universidade de Teerã, no centro da capital, onde Zhaleh estudava.

Segundo a TV estatal, "pessoas que participavam do funeral entraram em choque com um pequeno grupo aparentemente ligado à oposição e os expulsaram do local cantando palavras de ordem que pediam a morte aos hipócritas."

Um repórter da BBC que estava no local afirmou não ter visto grandes confrontos. Ele disse que forças de segurança bloquearam as ruas próximas e só permitiram a passagem de partidários do governo.

Em resposta à mobilização opositora, o regime islâmico convocou um comício na sexta-feira contra os "chefes da sedição", em referência aos líderes opositores denunciados pelas autoridades após as manifestações de segunda-feira.

O Conselho para a Coordenação da Propaganda Islâmica, que organiza as grandes manifestações populares do poder, anunciou em um comunicado a manifestação contra os opositores Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karoubi. "A população de Teerã participará, depois da oração de sexta-feira, em uma importante manifestação", indicou um comunicado.

'Inimigos vão fracassar'

Mahmoud Ahmadinejad afirmou nesta terça-feira que os "inimigos" que planejaram protestos antigoverno em Teerã na segunda-feira vão fracassar . "Está claro e evidente que a nação iraniana tem inimigos porque é um país que quer brilhar e alcançar seu pico e quer mudar as relações (entre os países) no mundo", disse Ahmadinejad em entrevista ao vivo na emissora estatal.

"Claro que existe muito animosidade, mesmo contra o governo. Mas eles (os organizadores dos protestos) vão fracassar", disse, quando questionado sobre a reação aos protestos contra o governo que ocorreram nas ruas da capital, Teerã, e em outras cidades na segunda-feira.

As manifestações deixaram dois mortos e muitos feridos, incluindo nove membros das forças de segurança, afirmaram fontes oficiais. Também há registros de que dezenas foram presos na repressão aos protestos.

Os policiais usaram golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão, que se reuniu em vários pontos da capital iraniana. As autoridades cortaram a eletricidade e bloquearam o funcionamento de telefones celulares no centro de Teerã. A BBC recebeu relatos de protestos similares em outras importantes cidades iranianas, como Isfahan, Mashhad e Shiraz.

Uma onda de protestos atingiu Estados do Oriente Médio e do norte da África desde meados de janeiro, quando semanas de manifestações antigoverno forçaram o autocrata tunisiano Zine El-Abidine Ben Ali fugir para a Arábia Saudita. Além do Egito, movimentos de oposição saíram às ruas na Argélia, Jordânia, Iêmen, Bahrein e Sudão.

Com AFP, EFE e BBC

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