Grupos palestinos vão ao Egito discutir trégua

EL ARISH, Egito (Reuters) - Líderes de três grupos militantes palestinos se dirigem na segunda-feira ao Cairo, onde vão discutir com o governo egípcio uma possível trégua com Israel na Faixa de Gaza, segundo autoridades. Essas fontes disseram que dirigentes da Frente Popular para a Libertação da Palestina, dos Comitês de Resistência Populares e da Frente Democrática para a Libertação da Palestina entraram no Egito através do posto fronteiriço de Rafah, que dá acesso à Faixa de Gaza, mas normalmente fica fechado por ordem de Israel.

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Os dirigentes então seguiram para o Cairo em três ônibus, escoltados por seguranças.

O Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, propôs na quinta-feira uma trégua de seis meses em seu território, que poderia ser ampliada para a Cisjordânia, mas com a condição de que Israel suspendesse o bloqueio econômico à Faixa de Gaza.

Mahmoud Al Zahar, líder do Hamas, disse na semana passada que outras facções palestinas, como a Jihad Islâmica e grupos esquerdistas com sede em Damasco, haviam aprovado preliminarmente a oferta, rejeitada por Israel.

Omar Suleiman, chefe da inteligência egípcia e encarregado dos contatos com o Hamas e Israel, concordou em reunir as facções palestinas no Cairo para discutir a oferta e buscar o consenso entre os palestinos.

Fontes egípcias do setor de segurança disseram que cada facção vai se encontrar separadamente na terça e quarta-feira com autoridades egípcias, mas que uma sessão plenária com todos os participantes não foi marcada.

De acordo com as fontes, será discutida também a possibilidade de reabertura da fronteira de Rafah, aberta à força em janeiro por membros do Hamas, para que durante dez dias a população fizesse compras no Egito, burlando o bloqueio israelense.

Israel rejeitou na sexta-feira a proposta de trégua, alegando que o objetivo do Hamas é se preparar para mais combates.

Mas o Hamas disse no sábado que ainda espera uma resposta oficial de Israel. Khaled Meshaal, dirigente do grupo no exílio, afirmou que aguardaria os contatos dos mediadores egípcios com o governo israelense.

A proposta da semana passada marca um recuo do Hamas, que antes só aceitava uma trégua que valesse simultaneamente para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Israel reluta em aceitar qualquer acordo formal que possa fortalecer politicamente o Hamas contra o seu principal rival interno, o presidente Mahmoud Abbas, da facção Fatah, que só controla a Cisjordânia e é parceiro de Israel no incipiente processo de paz retomado em novembro sob patrocínio dos EUA.

(Reportagem de Yusri Mohamed e Mohamed Yusuf)

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