Grupos palestinos rivais tentam se reconciliar

Cairo, 13 fev (EFE).- Dirigentes de Fatah e Hamas, em sua reunião desde a tomada de Gaza por este último, coincidiram hoje na necessidade de superar sua rivalidade e firmar uma reconciliação dos diferentes grupos palestinos.

EFE |

O compromisso foi anunciado após uma reunião que mantiveram hoje no Cairo altos representantes destas duas facções palestinas, que travam forte rivalidade junho de 2007, quando o Hamas tomou pelas armas o controle da faixa, derrubando a Autoridade Nacional Palestina (ANP), para a qual o Fatah havia sido eleito.

O comunicado aprovado no final da cúpula de quatro horas indica que ela reuniu, entre outros, o ex-primeiro-ministro da ANP Ahmed Qorei, também conhecido como Abu Asa, e o segundo dirigente na hierarquia do Hamas, Moussa Abu Marzuk.

Também participaram o dirigente do Fatah Nabil Shaath e representantes do Hamas que ontem haviam negociado com mediadores egípcios para alcançar um acordo com Israel que procura um cessar-fogo em Gaza.

Ao informar desta reunião, a agência oficial egípcia "Mena" disse que as duas partes decidiram cessar a campanha de ataques recíprocos através da imprensa.

Também prometeram que, a partir de agora, não haverá mais prisões de palestinos por policiais palestinos, sejam os que controlam a Cisjordânia (a ANP) ou Gaza, ligados ao Hamas.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, disse que o Hamas deu um golpe de Estado contra as autoridades que até então administravam a faixa.

O representante do Hamas Taher al Nunu disse à agência "Mena" que a reunião de hoje na capital egípcia foi "franca e revelou o desejo das duas partes de superar as divisões e chegar à reconciliação nacional".

O Egito será sede, em 22 de fevereiro, de uma conferência de reconciliação entre todas as facções palestinas, que está pendente há diversos meses, com mediação do Egito.

Os dirigentes palestinos estavam convocados no Cairo para um diálogo de reconciliação em 10 e 11 de novembro, mas o Hamas se negou a participar na última hora, alegando que não havia condições de garantir o sucesso da negociação.

O Egito insistiu, entretanto, na necessidade desse diálogo, inclusive durante a ofensiva israelense em Gaza, que causou a morte de cerca de 1.400 pessoas, após o Hamas ter atacado território israelense, negando-se a renovar o cessar-fogo que expirou em dezembro.

Tanto Egito quanto representantes da União Europeia afirmaram que a reconciliação entre as forças palestinas é vital para que se avance no processo de paz para o Oriente Médio e se definam os passos para reconstruir Gaza.

Em 2 de março, está convocada no Cairo uma conferência internacional que reunirá líderes internacionais para analisar como prestar assistência à população de Gaza após os últimos ataques.

A reunião de hoje no Cairo foi feita poucos dias após dirigentes da ANP e do Hamas trocaram duros ataques sobre a autoridade de cada parte.

Em 1º de fevereiro, o chefe máximo do Hamas, Khaled Mashaal, convocou os palestinos a formar "uma nova autoridade palestina".

"Mantemos a teoria de que são as urnas as que decidem em quem recai a liderança palestina. E os palestinos deram sua confiança ao Hamas", afirmou Mishaal recentemente, em entrevista coletiva, em Teerã.

No dia seguinte, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, reuniu-se no Cairo com o chefe de Estado egípcio, Hosni Mubarak, e afirmou que "não haverá diálogo com os que rejeitem à Organização para a Libertação da Palestina" (OLP), em referência ao Hamas.

"A OLP é o único representante legítimo do povo palestino", afirmou então Abbas, que também denunciou a existência de um projeto que tem com objetivo de destruir esta facção nacionalista e laica palestina, cujo grupo principal é o Fatah.

O Hamas, um movimento islamita criado em 1987 e que está incluído na lista de organizações terroristas da União Europeia, não faz parte da OLP, um grupo dominado por Fatah, dirigido por Abbas, que se elegeu presidente palestino em 9 de janeiro de 2005.

Porém, o Hamas reivindica seu comando por ter vencido as eleições legislativas de 25 de janeiro de 2006. EFE nq/jp

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