Grupos humanitários no Haiti pedem dinheiro, não produtos

Por Nicole Maestri SAN FRANCISCO (Reuters) - Grupos humanitários que atuam no Haiti pediram às empresas que doem dinheiro para ajudar as vítimas do terremoto, em vez de itens como roupas e tendas, que não podem ser distribuídas ainda devido à extensão da devastação.

Reuters |

As entidades tentam atender às necessidades mais urgentes, como água e remédios, e manter o espaço aéreo haitiano liberado para receber esses produtos.

Aviões cheios de mantimentos chegavam na quinta-feira ao aeroporto de Porto Príncipe num ritmo mais rápido do que os funcionários em terra conseguiam descarregá-los. As autoridades aéreas haviam restringido a chegada de voos não militares do espaço aéreo dos EUA, temendo que os aviões ficassem sem combustível enquanto esperavam para pousar.

"Este não é o momento de lançar um contêiner de blocos de cimento ou telhas na pista. Precisamos fazer primeiro as primeiras coisas, e estamos em modo de auxílio de emergência", disse David Owens, vice-presidente de desenvolvimento corporativo do grupo humanitário World Vision.

O tremor de magnitude 7,0 que devastou o país mais pobre das Américas, na terça-feira, destruiu milhares de casas, interrompeu as telecomunicações, bloqueou estradas e deixou o principal porto marítimo do país sem condições de uso. A Cruz Vermelha local estima que entre 45 mil e 50 mil pessoas tenham morrido, e que haja 3 milhões de feridos e desabrigados.

Empresas como Lowe's Cos, Google, Morgan Stanley e Goldman Sachs anunciaram doações de 1 milhão de dólares cada, mas grupos humanitários dizem que ainda precisam de muitos outros milhões.

"Neste momento, 12h (de quinta-feira) na Costa Leste dos EUA (15h em Brasília), tivemos 2,5 milhões de dólares em doações," disse Anne Duffy, porta-voz da World Vision. "Nossa meta de arrecadação (nos EUA) neste momento é de 20 milhões de dólares."

O presidente Barack Obama anunciou o envio de tropas e equipamentos militares ao Haiti, e disse que o governo dos EUA vai gastar 100 milhões de dólares no auxílio imediato às vítimas.

"Estamos dizendo às pessoas e corporações que é mais importante darem dinheiro, e então vamos descobrir quais são as necessidades mais imediatas", disse Joy Portella, diretor de comunicações da entidade Mercy Corps. "É duro jogar um monte de coisas num ambiente quando você não sabe exatamente o que é necessário."

(Reportagem adicional de Tom Brown e Andrew Cawthorne em Porto Príncipe, Helen Chernikoff em Nova York e Jessica Wohl em Chicago)

(Reportagem de Nicole Maestri)

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