Grupos defensores de imigrantes nos EUA rejeitam lei aprovada no Arizona

Phoenix, 23 abr (EFE).- Grupos defensores dos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos rejeitaram hoje a aprovação da lei estadual 1070 no Arizona, a primeira a transformar em crime a presença de imigrantes ilegais no país.

EFE |

Para Alessandra Soler Meetze, diretora-executiva de União Americana de Liberdades Civis (Aclu) no Arizona, com sua assinatura a governadora Jan Brewer "não só autorizou a violação dos direitos de milhões de pessoas vivendo e trabalhando aqui, mas também deu a cada agência de Polícia no Arizona a ordem de acossar qualquer pessoa que pareça ou soe como estrangeiro".

Acrescentou que para evitar serem detidos todos os cidadãos, sem importar seu status, e inclusive estrangeiros de visita no Arizona, terão que trazer sempre consigo seus "papéis".

A lei 1070, promulgada hoje por Jan, transforma em delito menor a presença de imigrantes ilegais no estado e dá aos corpos policiais a faculdade de questionar o status de uma pessoa se existe uma "suspeita razoável" que se encontra ilegalmente no país.

Também contempla penalizações para quem transportar ou dar trabalho a um imigrante ilegal e dá o direito a qualquer pessoa de processar os departamentos de Polícia, agências estatais ou cidades que não apliquem as novas regulações.

"Obrigar a Polícia a exigir papéis de imigração às pessoas e prender aqueles que não podem comprovar imediatamente seu status não fará nada para tornar este estado mais seguro", sustentou Dan Pochoda, diretor legal da Aclu no Arizona, no mesmo comunicado.

Janet Murguía, presidente do Conselho Nacional da Raça, o maior agrupamento de hispânicos do país, disse que este é "um dia triste" para o povo do Arizona e para todo o país.

Thomas Sáenz, presidente do Fundo Mexicano-Americano para a Educação e a Defesa Jurídica, advertiu que a lei levará o Arizona a uma "espiral de medo, desconfiança comunitária, aumento do crime e dos litígios".

Desde a segunda-feira passada, quando a SB1070 foi aprovada pelo Senado estadual, aconteceram manifestações em várias cidades do estado.

Organizações realizaram uma intensa campanha contra a medida com mobilizações em frente ao escritório da governadora republicana, enquanto políticos, religiosos, líderes comunitários e estudantes saíram às ruas para pedir o veto de Jan, que busca a reeleição nas eleições de novembro.

"É um dia muito triste para o Arizona, um dia muito triste para todos os latinos nos Estados Unidos", disse à Agência Efe Francisco Barraza, ativista na cidade de Tucson.

O Caucus Nacional Hispano de Legisladores Estatais rejeitou a medida assegurando que desperdiça os recursos do estado e representa uma violação aos valores americanos e à Constituição. EFE ml/ma

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