Grupos armados palestinos apóiam proposta de trégua com Israel

Todos os grupos armados palestinos apoiaram nesta quarta-feira uma proposta egípcia de trégua com Israel, que prevê uma pausa nas hostilidades primeiro em Gaza e depois na Cisjordânia, e que agora deve ser apresentada ao Estado hebreu, anunciou uma autoridade egípcia.

AFP |

Doze grupos armados apoiaram a proposta, que na semana passada já havia obtido a aprovação dos dois principais movimentos palestinos: o Fatah do presidente palestino Mahmud Abbas - que controla a Cisjordânia - e seus rivais do islamita Hamas, que controlam Gaza desde junho do ano passado.

O projeto enuncia princípios apoiados por grupos como a Jihad Islâmica, que insiste na necessidade de uma trégua que seja aplicada tanto na Cisjordânia quanto em Gaza, embora o texto estabeleça uma interrupção das hostilidades progressiva.

Trata-se de uma trégua "global, recíproca e simultânea, que seria aplicada gradualmente, começando pela Faixa de Gaza e estendendo-se posteriormente para a Cisjordânia", afirmou o alto funcionário egípcio, citado - embora sem identificação - em um comunicado oficial divulgado pela agência egípcia Mena.

"Este cessar de hostilidades representa a primeira etapa de um plano de ação que pretende criar as condições adequadas para a retirada do bloqueio (imposto por Israel à Faixa de Gaza) e pôr fim às divisões palestinas", acrescentou.

"Após as negociações (dos grupos palestinos) no Cairo, um consenso foi alcançado em relação à proposta egípcia", acrescenta o comunicado.

As negociações foram organizadas pelo chefe dos serviços de inteligência egípcios, Omar Suleiman, que atua como mediador entre os grupos palestinos e Israel, já que o país se recusa a manter contatos diretos com algumas dessas organizações, por considerá-las terroristas.

A iniciativa egípcia se propõe obter a retirada do bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza desde que o Hamas tomou o poder nessa região.

A Jihad Islâmica, responsável pela maioria dos disparos de foguetes a partir de Gaza em direção ao território israelense, disse que não assinaria a trégua, mas que também não tentaria impedir a mesma.

"Se os grupos palestinos concordaram com a interrupção das hostilidades, não seremos um obstáculo, mas não colocaremos nossa assinatura. Se formos atacados, ninguém nos impedirá de revidar", disse um porta-voz desse grupo à AFP.

O embaixador palestino no Cairo, Nabil Amr, disse à AFP que Suleiman buscará agora o apoio de Israel ao projeto de trégua.

Amr se recusou a indicar a data da viagem, embora segundo uma fonte do Ministério israelense da Defesa, o chefe dos serviços egípcios não deve chegar a Jerusalém antes de domingo.

Israel expressou dúvidas sobre a vontade do Hamas de respeitar um cessar-fogo, mas deu a entender que pode aceitar uma trégua tácita se as milícias palestinas interromperem os disparos de foguetes a partir de Gaza.

Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, efetuou nesta quarta-feira uma visita surpresa à Jordânia, onde discutiu com o rei Abdallah II questões relacionadas ao processo de paz entre israelenses e palestinos, informou o Palácio Real.

Israel e a Autoridade Palestina de Mahmud Abbas tentam desbloquear as negociações de paz, visando a assinar antes do fim do ano um acordo que ponha fim a um conflito de seis décadas.

nas/dm/fp

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