Grupo responsabilizado por ataques de Mumbai nega ter vínculos com Al Qaeda

Nova Délhi, 16 dez (EFE).- O grupo acusado pela Índia de realizar os ataques terroristas de Mumbai, Lashkar-e-Toiba (LeT), negou hoje ter ligações com a rede terrorista Al Qaeda ou com os talibãs e afirmou que sua luta se limita à Caxemira.

EFE |

Em comunicado divulgado pela agência indiana "Ians", o porta-voz do LeT, Abdullah Ghaznavi, disse que o grupo tem "sua própria agenda para libertar a Caxemira da ocupação indiana, e esta é uma causa legítima".

"O Comitê de Sanções do Conselho de Segurança (da ONU) foi constituído sob a resolução 1.267, que inclui apenas os sujeitos ou entidades associadas com os talibãs e a Al Qaeda, mas o LeT não tem relações com nenhuma destas organizações", declarou.

Este comitê controla a imposição de sanções, que incluem o congelamento de ativos financeiros, a proibição de viajar e o embargo de armas a indivíduos e grupos incorporados a uma lista que se atualiza regularmente.

O LeT, que já negou seu envolvimento nos atentados do final de novembro em Mumbai, disse que a decisão da ONU de o incluir em sua lista negra "não faz menção aos ataques de Mumbai".

"Não se deve assumir que o Conselho de Segurança atuasse contra o LeT por causa dos ataques de Mumbai", declarou o porta-voz.

O grupo islâmico, que luta pela anexação da Caxemira indiana ao Paquistão, afirmou que a ONU tirou de sua lista negra vários sujeitos e entidades no passado e expressou seu desejo de que o Conselho de Segurança "estude o caso com atenção e sem nenhum tipo de chantagem emocional por parte da Índia".

"O LeT quer mais uma vez assegurar à comunidade internacional que nossa luta apenas está confinada à Caxemira e que estamos lutando apenas contra as Forças Armadas indianas. A propaganda do Governo indiano de que temos alvos 'globais' não têm fundamento", afirmou.

O comunicado coincidiu com declarações do ministro de Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, que hoje disse que o massacre de Mumbai "não tem relação alguma" com as relações entre Índia e Paquistão nem com a disputa entre os dois Estados pela Caxemira.

"Não é uma questão caxemiriana. É parte da ação e da guerra global contra o terrorismo", afirmou em entrevista coletiva Mukherjee, apesar de o Governo responsabilizar o LeT pelos atentados. EFE amp/fal

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