Mogadíscio, 22 abr (EFE).- Os corpos decapitados de cinco trabalhadores executados pelo grupo rebelde islamita Al-Shabab foram encontrados em um prédio destruído que está sob domínio do Governo Federal de Transição da Somália (TFG), confirmaram à Agência Efe moradores de um bairro ao norte de Mogadíscio.

Os trabalhadores eram carpinteiros do clã minoritário Jareer, assinalou um morador da região que viu os corpos.

"Foi terrível, todos os corpos estavam sem cabeça e tinham as mãos amarradas às costas", disse o homem, quem especificou que os cadáveres foram achados alinhados dentro do prédio cada um com uma carta em cada, na qual os executores afirmam que "qualquer que trabalhe para o Governo receberá o mesmo castigo".

Além disso, ele confirmou que os cinco operários não foram decapitados no prédio, onde antigamente funcionava o Parlamento somali, mas em outro lugar e que os cadáveres foram levados para o local depois em uma caminhonete.

Os cinco executados não trabalhavam diretamente para o Governo, mas para uma empresa contratada para reconstruir edifícios danificados na guerra civil da Somália.

Al-Shabab, organização fundamentalista islâmica que procura derrubar ao TFG, considera que qualquer um que trabalhe direta ou indiretamente para o Governo ou para Missão da União Africana na Somália (Amisom) "é traidor e merece a morte".

Uma organização humanitária local condenou o assassinato dos cinco operários e classificou o "ato de ilegal e cruel contra os direitos humanos".

O filho de um dos assassinados, quem solicitou permanecer no anonimato, disse à Efe que seu pai tinha sido sequestrado há dois dias pelo Al-Shabab.

"Vários homens mascarados entraram em nossa casa há dois dias e seqüestraram meu pai e um de meus primos, e seus corpos estão entre os encontrados na área de Qaburaha Barakaat", disse o jovem, quem acrescentou que a família não pode resgatar os corpos porque sabe que Al-Shabab pode matá-los se o tentarem.

Al-Shabab, grupo vinculado à Al Qaeda e que impôs a "sharia" (lei islâmica) nas áreas sob seu controle, realizaram execuções por decapitação e apedrejamento e amputações de mãos e pés para castigar os que desrespeitam suas duras regras.

No início deste mês, Al-Shabab proibiu a população de escutar a "BBC" britânica e a "Voz da América" americana nas áreas no centro e o sul do país sob seu controle.

Por sua vez, Hezb al-Islam, grupo que está na lista de terroristas do Departamento de Estado americano e é aliado de Al-Shabab na luta contra o Governo Federal, proibiu na semana passada a difusão de música pelas emissoras de Mogadíscio, cujos diretores foram ameaçados de morte se descumprirem às ordens da direção.

Só duas emissoras oficiais e com proteção armada, a governamental "Rádio Mogadíscio" e a "Bar Kulan Rádio", da Amisom, seguem funcionando na capital.

Somália está imersa no caos político e militar desde 1991, quando líderes de clãs tribais, conhecidos como "senhores da guerra", derrubaram o Governo do ditador Siad Barre e dividiram o país com ajuda de milícias armadas.

A crise piorou a partir de 2006, quando a antiga União das Cortes Islâmicas (UCI) entrou em conflito com ajuda de sua ala armada, Al-Shabab, que lançou a jihad (guerra santa) à qual se uniram depois outros grupos fundamentalistas islâmicos menores. EFE ia-aa/dm

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