Grupo rebelde de Darfur rejeita cessar-fogo anunciado pelo Governo do Sudão

Cairo, 12 nov (EFE).- O principal grupo rebelde da região sudanesa de Darfur rejeitou se somar ao cessar-fogo unilateral anunciado hoje pelo Governo e disse desconfiar da promessa do presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, de acabar com as operações militares.

EFE |

"O Movimento pela Justiça e a Igualdade (MJI) não está interessado nesse cessar-fogo. Deveria fazer parte de um acordo e apresentar iniciativas para que possa ser cumprido", disse à Agência Efe o porta-voz do grupo, Tahir el-Faki.

Bashir anunciou hoje em Cartum um cessar-fogo "imediato e incondicional" na região de Darfur, no oeste do Sudão, onde um conflito armado desde 2003 já matou 300 mil pessoas.

A decisão foi anunciada enquanto os juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) analisam a possibilidade de processar Bashir por seu papel no conflito de Darfur, acusando o chefe de Estado sudanês de genocídio e crimes de guerra.

Faki, que também é presidente do Conselho Legislativo do MJI, com sede em Londres, acrescentou que "está muito claro" que o anúncio de hoje de Bashir está vinculado com esse processo judicial.

"Bashir tem medo de ser preso e está tentando fazer com que esse processo não avance", declarou.

Os juízes do TPI responsáveis pelo caso de Bashir pediram à Promotoria "material adicional" antes de decidir se emitem uma ordem de prisão contra o presidente do Sudão. A princípio, esperava-se essa decisão para este mês.

O porta-voz do MJI insistiu que, em ocasiões anteriores, o Governo anunciou outras ofertas para suspender as operações militares em Darfur "e cometeu atrocidades no mesmo dia".

"É um terrorista: primeiro diz uma coisa, depois faz outra", afirmou. EFE ag/wr/plc

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