Grupo rebelde da RDC toma cidade na fronteira com Uganda

Kinshasa, 28 nov (EFE) - O grupo rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) tomou a cidade de Ishasa, na fronteira nordeste da República Democrática do Congo (RDC) com Uganda, disse hoje o porta-voz da Missão de Paz da ONU no país (Monuc), o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich.

EFE |

"Há um destacamento do CNDP em Ishasa e uma patrulha da Monuc está a caminho da localidade", disse o porta-voz do contingente militar internacional, que mantém 17 mil soldados na RDC e que enviará, em breve, outros três mil militares à conflituosa região de Kivu Norte, epicentro de confrontos desde agosto.

Ishasa se encontra cerca de 120 quilômetros ao nordeste de Goma, a capital de Kivu Norte, e através dela entraram na quinta-feira em Uganda mais de dez mil refugiados que tentavam escapar dos combates entre o CNDP e milícias aliadas ao Governo de Kinshasa na área de Rutshuru, 60 quilômetros ao sul da localidade fronteiriça.

Mais de 27 mil congoleses cruzaram a divisa com Uganda desde agosto fugindo dos combates na RDC, enquanto o total de deslocados internos em Kivu Norte chega a 250 mil, informou na quinta-feira em Genebra o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Jaya Murthy, um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Goma, disse por telefone à Agência Efe que rebeldes e milícias aliadas ao Governo se enfrentaram na quinta em Masisi, 57 quilômetros ao noroeste de Goma, onde a situação é "extremamente volátil" e obrigou à fuga de milhares de civis.

"A população foge das zonas dos confrontos e se encontra em situação muito vulnerável, principalmente as crianças, devido a surtos de cólera, sarampo e outras doenças contagiosas, que levam às novas áreas às quais se deslocam, com o risco de que se transformem em epidemias", disse Murthy.

O representante do Unicef destacou que as crianças são as mais vulneráveis em situações de combate, porque ficam separadas dos pais e expostas a abusos por parte dos grupos em confronto.

"À medida em que os confrontos continuam, os diferentes grupos armados - o CNDP, as milícias mai-mai e o FDLR (Frente Democrática para a Libertação de Ruanda) -, com exceção do Exército congolês, estão recrutando crianças para incorporá-las a suas fileiras", disse.

Segundo Murthy, o recrutamento das crianças não é sempre pela força, já que muitas delas, pobres e privadas das necessidades humanas mais básicas, como a comida, se unem aos grupos armados voluntariamente, já que é a única opção que têm para sobreviver. EFE py/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG