Pequim, 23 jul (EFE).- A organização Human Rights in China (HRIC) afirmou hoje que as autoridades chinesas intensificaram os esforços por aplacar os dissidentes diante da iminente realização dos Jogos Olímpicos, o que ficou evidente com a detenção de cinco deles em menos de um mês.

Segundo um comunicado da entidade, o ciberdissidente Du Daobin foi detido ontem na província de Hubei (centro) por violar os termos de sua liberdade condicional ao publicar cerca de cem ensaios que, segundo o Governo, "distorciam informações".

Além disso, os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Chinese Human Rights Defenders (CHRD) afirmaram, em respectivos comunicados, que a Polícia revistou a casa do dissidente e confiscou vários de seus escritos, além de dois computadores.

Du, de 43 anos e que mora na localidade de Yingcheng, foi detido em junho de 2004 por "incitar a subversão" e sentenciado a três anos de prisão após escrever 26 artigos na internet nos quais se mostrou muito crítico ao Governo chinês.

A HRIC também fez menção à detenção formal no último dia 18, após 38 dias de prisão, de Huang Qi, outro ciberdissidente acusado de "estar em posse de segredos de Estado de forma ilegal".

Segundo a organização, a detenção de Huang está relacionada à divulgação de informação sobre as queixas dos pais que perderam seus filhos no terremoto de 12 de maio em Sichuan.

Nove dias antes, o dissidente Lü Honglai foi detido pela Polícia do município de Tianjin e até hoje se desconhece seu paradeiro, apesar de as autoridades locais terem confirmado para sua mulher que está "sob investigação", informa a HRIC.

Já no dia 5, Liu Jianjun, ativista que luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores da ferrovia de Datong, na província setentrional de Shanxi, foi preso nesta localidade como "suspeito de incitar a subversão contra o poder do Estado", acrescentou a HRIC.

Finalmente, o dissidente Xie Changfa foi detido em 25 de junho em Changsa, na província de Hunan (centro), sob as mesmas acusações.

Outras cinco pessoas foram detidas junto com Xie, mas todas foram colocadas em liberdade posteriormente e só uma, Xie Changzhen, está à espera de julgamento. EFE ub/fal

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