Grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba é o principal suspeito dos atentados de Mumbai

O grupo Lashkar-e-Taiba, principal suspeito dos atentados de Mumbai, é um dos movimentos clandestinos paquistaneses que afirmam lutar contra a ocupação indiana da Caxemira e contra o que chamam de perseguição à minoria muçulmana na Índia.

AFP |

O Lashkar, interditado no Paquistão desde 2002, desmentiu já na quinta-feira qualquer envolvimento nos ataques, que condenou.

Porém, assim como outros grupos banidos, ele não desapareceu, e é suspeitado de ter estreitado seus vínculos com os talibãs paquistaneses e a Al-Qaeda, que recompôs suas forças nas zonas tribais do noroeste do Paquistão.

O Lashkar-e-Taiba foi fundado nos anos 90 em Lahore, no leste do Paquistão, perto da fronteira indiana, com o objetivo de combater a "ocupação" pela Índia de parte da Caxemira, uma província de maioria muçulmana.

Este movimento se beneficiou durante muito tempo da complacência de Islamabad e até da ajuda dos poderosos serviços de inteligência paquistaneses, uma vez que o Paquistão também era contrário à presença indiana na Caxemira, uma província responsável por duas das três guerras que opuseram os dois países vizinhos.

O Lashkar, que está na lista americana das organizações terroristas, foi interditado no Paquistão em 2002, apesar de nunca ter sido acusado de cometer atentados neste país.

O grupo também é suspeitado de ter planejado o ataque por homens armados do Parlamento indiano em Nova Delhi, que deixou dez mortos em 13 de dezembro de 2001 e quase provocou uma quarta guerra entre a Índia e o Paquistão.

Nova Delhi também culpa o Lashkar por vários atentados e ataques cometidos nestes últimos anos na parte indiana da Caxemira e em outros lugares.

O fundador do Lashkar, o paquistanês Hafiz Mohammad Saeed, lutou brevemente contra o Exército Vermelho nos anos 80 no Afeganistão ao lado dos mujahedin, mas garantiu ter deixado o movimento pouco antes de sua proibição para criar uma fundação de caridade islâmica, a Jamaat-ud-Dawa, apontada como o braço político do Lashkar.

A Jamaat-ud-Dawa foi muito ativa na ajuda às vítimas do forte terremoto de 2005 que matou dezenas de milhares de pessoas na parte paquistanesa da Caxemira.

O Lashkar-e-Taiba mantém vagas ligações com a Al-Qaeda, abrigando e ajudando membros da rede terrorista de Osama bin Laden que fugiram do Afeganistão em 2001.

Outros grupos armados paquistaneses são considerados ativos na Índia: o Hizb-ul-Mujahideen (Partido dos Guerreiros Santos), um dos mais ativos na Caxemira indiana; o Lashkar-e-Jhangvi, muito ligado à Al-Qaeda mas essencialmente ativo no Paquistão; o Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), um movimento fundamentalista da Caxemira que mantém ligações estreitas com o Lashkar-e-Jhangvi e que também foi acusado pela Índia de envolvimento no ataque contra seu Parlamento em 2001; e, por fim, o Harkat-ul-Jihad-e-Islami (Movimento pela Guerra Santa Islâmica), considerado um braço direto da Al-Qaeda e mais ativo no Paquistão.

rj/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG