Grupo malaio feito refém por piratas conta drama do sequestro

KUALA LUMPUR (Reuters) - Piratas somalis que sequestraram dois navios-tanque malaios no Golfo de Áden ameaçaram matar os sequestrados, mas permitiram que seus reféns muçulmanos orassem e jejuassem para observar o mês do Ramadã, afirmou neste sábado o grupo libertado. Homens armados da Somália sequestraram pelo menos 30 embarcações este ano e atacaram muitas outras na área mais congestionada e perigosa para navios no mundo ligando a Europa, Ásia e Oriente Médio. Um barco ucraniano com carga militar, incluindo 33 tanques, está retido pelos piratas somalis no leste da costa africana.

Reuters |

Os piratas atacaram dois navios malaios, o Bunga Melati 2 e o Bunga Melati 5, além de 80 tripulantes, em agosto e os libertaram no mês passado depois que a empresa dona da embarcação, a MISC, pagou uma quantia desconhecida pelo resgate.

Os tripulantes, que chegaram na Malásia no início do sábado, relataram a difícil experiência marcada pela barreira do idioma, tratamentos diferenciados pelos piratas e a morte acidental de um membro filipino por conta de uma bala que ricocheteou no teto.

Maheshwaran Muniandy, capitão a bordo do Bunga Melati 5, afirmou que os piratas apontavam as armas "diversas vezes" para os reféns, mas que eventualmente ele concluiu que os sequestradores não tinham intenções de matar.

"Depois de 12 dias lá, cheguei a conclusão que intencionalmente eles não iriam matar nenhum dos meus tripulantes", explicou Muniandy para repórteres, acrescentando que a comunicação era feita através de sinais.

Os piratas foram vistos primeiramente por dois tripulantes que estavam caminhando do lado de fora e os confundiram com pescadores comuns, segundo disse Nuzaihan Abd Rani, um dos tripulantes, lembrando que eles acenaram para os piratas. Os sequestradores então responderam com disparos e subiram no navio com a ajuda de uma escada de alumínio.

A Associação de Marinheiros do Leste Africano afirmou que os piratas pediram 4,7 milhões de dólares para libertar os navios e jornais malaios apontaram quantias de 2 milhões de dólares por cada embarcação como o resgate que teria sido pago. O presidente-executivo da MISC, Shamsul Azhar Abbas, preferiu não falar sobre o montante envolvido.

(Reportagem de Liau Y-Sing)

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