Grupo islâmico paquistanês é o principal suspeito dos atentados de Mumbai

MUNBAI - Um grupo islâmico com base no Paquistão é o principal suspeito dos ataques que deixaram 195 mortos na Índia.

AFP |

AP
Indianos cumprimentam militares após fim dos ataques
O grupo Laskhar-e-Taiba, um dos movimentos islâmicos clandestinos paquistaneses que afirmam lutar contra a "ocupação" indiana da Caxemira e denunciam as "perseguições" que sofrem segundo eles os muçulmanos da Índia, aparece como o principal suspeito pelos atentados.

O único terrorista detido em Mumbai durante os ataques, Ajmal Amir Kamal, 21 anos, disse aos policiais que os autores eram todos paquistaneses treinados pelo Laskhar-e-Taiba, segundo a imprensa indiana deste domingo, que citou os serviços de inteligência.

"Vocês sabem quantas pessoas foram mortas na Caxemira?", perguntou, em urdu, um dos terroristas a uma rede de TV que o contactara por telefone quando ocupava um centro religioso judaico. O homem morreu pouco tempo depois, quando as forças de segurança indianas invadiram o edifício.

Dirigentes dos serviços americanos de contra-espionagem confirmaram à AFP que existem provas do envolvimento do Laskhar-e-Taiba na série de ataques lançada na noite de quarta-feira.

O grupo também é suspeito de ter atacado o Parlamento indiano em 2001, um atentado que quase provocou uma nova guerra entre a Índia e o Paquistão.

Islamabad desmentiu categoricamente qualquer envolvimento nos ataques de quarta-feira, reivindicados por um misterioso grupo islâmico, o Deccan Mujahedin, do nome da planície que cobre parte do centro e do sul da Índia.

Sábado, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, conclamou a Índia a não reagir de forma excessiva aos ataques de Mumbai. "Seja quem forem os responsáveis por este ato primitivo e brutal contra o povo indiano e a Índia, eles querem provocar uma reação de vingança", declarou Zardari em uma entrevista à rede de televisão indiana CNN-IBN. "Temos que nos colocar acima deles, e fazer com que não haja nenhuma reação excessiva", acrescentou.

As forças de segurança indianas puseram fim sábado em Mumbai a dois dias e meio de ataques perpetrados por uma dezena de terroristas, que deixaram 195 mortos, entre os quais 28 estrangeiros, e 295 feridos.

Nove terroristas foram mortos nas operações de comando indianas, e um décimo foi preso. Quinze membros das forças de segurança morreram durante os combates, segundo as autoridades indianas.

Oito dos terroristas estavam infiltrados na cidade há um mês, conduzindo "missões de reconhecimento para preparar os ataques" e se fazendo passar por estudantes, revelaram sábado à AFP fontes dos serviços de inteligência indianos.

Ajmal Amir Kamal, o único terrorista detido, contou que os homens armados chegaram a Mumbai a bordo de botes infláveis, transportados por um navio maior que fora capturado e cuja tripulação fora assassinada, segundo a imprensa indiana deste domingo.

Os principais alvos dos ataques lançados na quarta-feira eram estrangeiros, sobretudo americanos, britânicos e israelenses. Porém, os extremistas, bem treinados e bem armados, também atacaram alvos indianos, matando 50 pessoas na estação central de Mumbai e invadindo um hospital.

A morte de pelo menos 28 estrangeiros - nove israelenses, cinco americanos, dois franceses, dois australianos, dois canadenses, um britânico, uma cingapuriana, um japonês, um italiano, uma tailandesa, um alemão, um mauriciano e uma mexicana - foi confirmada por seus países respectivos.

"Ficamos encurralados em nossos quartos por cerca de 40 horas. As informações eram muito confusas", relatou um francês de 53 anos, Philippe Meyer, em viagem de negócios a Mumbai e que voltou sábado a Paris depois de ter ficado bloqueado no Trident Oberoi, um dos dois hotéis invadidos pelos terroristas.

Um ator britânico, que interpretou na televisão o papel de um dos camicases responsáveis pelos atentados suicidas de Londres em 2005, contou à imprensa como conseguiu escapar com vida dos atentados. Ele estava no Café Leopold, freqüentado por muitos turistas e expatriados em Mumbai, quando homens armados irromperam no local e abriram fogo.

"Cinco minutos depois, os tiros pararam. Abri os olhos, e vi várias pessoas mortas ao meu lado", declarou o ator, Joey Jeetun, ao jornal britânico The Times, explicando que os terroristas provavelmente pensaram que ele estava morto, já que estava coberto com o sangue de outras vítimas.

Jeetun, 31 anos, de origem mauriciana, foi detido em seguida pelos policiais, que o tomaram por um dos terroristas. Ele foi libertado 13 horas depois.

Vários países, entre os quais os Estados Unidos, Israel e a Grã-Bretanha, se ofereceram para ajudar na investigação.

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