Grupo Guerlain nega acusações de racismo sobre criador da marca

Perfumista Jean-Paul Guerlain foi acusado de racismo depois de ter dito em rede de TV que trabalhou como 'um negro'

iG São Paulo |

Em meio a uma polêmica envolvendo o perfumista francês Jean-Paul Guerlain, o grupo francês de perfumes e cosméticos Guerlain considerou "inadmissíveis" as acusações de racismo que recaem sobre o perfumista criador da marca, que é conselheiro do grupo atualmente.

O escândalo começou após o célebre perfumista ter dito em uma entrevista na televisão que trabalhou "como um negro" para criar sua última fragrância. "Uma vez, trabalhei como um negro". Não sei se alguma vez os negros trabalharam tanto assim", afirmou na sexta-feira passada em entrevista concedida ao canal de televisão público francês France 2.

AFP
Guerlain, 73 anos, é um dos homens mais ricos da França (foto de arquivo)
Guerlain, considerado um dos homens mais ricos da França, utilizou a palavra "nègre", que tem um sentido depreciativo em francês, em lugar de "noir", mais neutra.

Mais tarde, em um comunicado oficial, Guerlain tentou se desculpar. "Minhas palavras não refletem de nenhuma forma meu pensamento íntimo, a não ser um equívoco inapropriado que eu lamento profundamente", afirmou. Ele assumiu pessoalmente a responsabilidade do ato e pediu desculpas "a todos os que se sentiram ofendidos por estas palavras chocantes".

Governo

O escândalo chegou ao governo, cuja ministra da Economia, Christine Lagarde, considerou "patéticas" as palavras do perfumista. "Espero que seja algo senil e sem importância e que manifeste desculpas sinceras", afirmou a ministra à rádio RTL.

As associações SOS Racisme e o Conselho Representativo das Associações Negras (CRAN) asseguraram que estudam denunciá-lo. A SOS Racisme acredita que as denúncias "têm um valor pedagógico" para acabar com "os clichês impregnados de resquícios coloniais".

não é mais funcionário nem acionista da marca que leva seu sobrenome. Hoje em dia, ele trabalha apenas como conselheiro para "tendências olfativas".

Nem todos acreditaram na sinceridade das desculpas, já que Guerlain, conforme lembrou a SOS Racisme, já havia manifestado opiniões xenófobas em ocasiões anteriores.

Em 2002, quando ainda estava à frente de sua perfumaria, recebeu uma denúncia por trabalho clandestino em suas plantações em Mayotte, a colônia francesa situada no oceano Índico. Diante da acusação, ele afirmou que a “mão de obra clandestina é um mal endêmico". Meses após esse escândalo, transferiu suas atividades à vizinha ilha de Anjouan, pertencente ao arquipélago de Comores.

*Com Reuters e EFE

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