Grupo gay da Califórnia adia luta por casamento para 2012

Por Peter Henderson SAN FRANCISCO (Reuters) - O maior grupo californiano de direitos dos homossexuais anunciou na quarta-feira que precisa de mais três anos para construir uma coalizão que consiga revogar a proibição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no Estado.

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A decisão cria uma divisão com outra ala, que defende novo referendo no próximo ano, enquanto é recente a indignação contra a proibição ao casamento gay.

A disputa por essa questão na Califórnia, o mais populoso e um dos mais liberais Estados dos EUA, deve atrair organizações nacionais, numa campanha que custará pelo menos 100 milhões de dólares e, se ficar para 2012, pode influir na próxima eleição presidencial.

Em novembro de 2008, o eleitorado decidiu proibir o casamento homossexual, meses depois de a Justiça estadual legalizá-lo. Aquele resultado deu força aos conservadores e provocou protestos nacionais de homossexuais e simpatizantes da causa. Logo em seguida, vários Estados legalizaram o casamento homossexual, especialmente no Nordeste do país, e o caso chegou à Suprema Corte dos EUA.

"Exige tempo, compromisso e muitíssimos voluntários para desfazer as inverdades que nossos adversários têm dito", disse Marc Solomon, diretor de casamento da entidade Equality California, por teleconferência. "Podemos ter apoio majoritário até 2012".

Seu grupo foi o que mais arrecadou entre os adversários da chamada Proposição 8, de 2008, que define o casamento como sendo a união de um homem e uma mulher. Grandes doadores não estão dispostos a financiar uma nova luta tão logo depois de um fracasso, e uma campanha porta a porta iria demorar muito. Um maior comparecimento na eleição presidencial de 2012, assim como um eleitorado mais jovem, acrescentariam 4 pontos percentuais à margem de vitória, estimou a organização.

Mas grupos menores dizem que a demora irá reduzir o impulso entre os homossexuais e seus aliados, ainda tentando compreender as inesperadas derrotas nas urnas. Eles prometeram ir à forra em 2010, o que coincidiria com as eleições legislativas bienais.

"Se você para esse impulso agora, essa gente não irá necessariamente estar lá em 2012, quando você decidir começar sua campanha de novo", disse John Henning, diretor-executivo da entidade Love Honor Cherish, antes do já esperado anúncio da Equality California.

O grupo de Henning planeja arrecadar mais de 1 milhão de assinaturas em prol da causa, e diz que precisaria de 32 milhões de dólares para a batalha.

O debate na Califórnia reflete uma questão nacional sobre o quão sólida é a oposição ao casamento homossexual. Muitos militantes dizem que a maior convivência com casais do mesmo sexo e garantias de que as igrejas não serão forçadas a casar gays irá convencer uma maioria silenciosa de que todos têm o direito de se casarem com quem quiserem. Mas a maioria dos Estados proíbe explicitamente o casamento homossexual, muitas vezes em decisão tomada por voto popular.

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