Grupo fundamentalista Al-Shabab promete mais ataques na Somália

Atentado de terça-feira contra um complexo ministerial deixou 72 mortos e mais de cem feridos, segundo ministro da Saúde

iG São Paulo |

O grupo fundamentalista islâmico Al-Shabab ameaçou nesta quarta-feira intensificar os ataques na Somália, um dia depois de um atentado suicida dos rebeldes em Mogadíscio ter deixado mais de 70 mortos, um desafio aberto à comunidade internacional que condenou a ação. "Prometemos que esses ataques contra o inimigo se tornarão uma rotina, serão mais numerosos e aumentarão a cada dia", afirmou o porta-voz dos radicais, Ali Mohamud Rage, em uma entrevista pré-gravada à rádio do Al-Shabab, Al-Andalus.

AP
Homem ferido é visto no local do ataque em Mogadíscio, na Somália (4/10)

Na terça-feira, um terrorista avançou com um caminhão-bomba contra um complexo ministerial. O ataque deixou pelo menos 70 mortos e foi um dos mais violentos dos últimos anos na Somália, tendo sido condenado pelos Estados Unidos e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que o chamou de "repugnante" e "incompreensível".

A explosão deixou a cidade coberta de pó e cadáveres eram vistos em meio a veículos e dezenas de feridos. O ministro da Saúde afirmou em comunicado nesta quarta que o atentado deixou 72 mortos e mais de cem feridos, sendo 38 em estado grave.

Na entrevista, Rage identificou o suicida como sendo o estudante somali Bashar Abdullahi Nur. Ele disse que o ataque era um alerta para aqueles que pensavam que o grupo havia deixado Mogadíscio em agosto. "Eu vou dar uma previsão para os infiéis: vocês enfrentarão um grande golpe", disse. "Será uma grande explosão no coração do inimigo."

Antes do atentado, Bashar Abdullahi Nur, teria sido entrevistado pela rádio. "Para mim tanto faz se mato mil pessoas, cem ou uma. Preciso ir para o paraíso e me reunir com Deus", afirmou na ocasião.

Nesta quarta, parte das vítimas do ataque foram enterradas por suas famílias. "Que Alá os mande para o inferno", afirmou uma somali, enquanto enterrava o filho. Sadiya Omar, que perdeu o marido na terça-feira, deixou o local antes de terminado o funeral, dizendo que era mais do que ela podia suportar. "O mundo não terá paz enquanto esses assassinos do Al-Shabab estiverem aqui", disse, entre lágrimas.

O presidente Sheik Sharif Ahmed declarou três dias de luto e prometeu que seu governo adotará medidas de segurança especiais para que novos atentados não ocorram. "Eu tenho certeza que o crime que eles cometeram contra o povo somali não ficará impune", disse Ahmed em referência ao Al-Shabab. "Deus irá puní-los e o governo tomará medidas apropriadas para manter seu povo a salvo."

Segundo a agência EFE, as agências de segurança nacional do governo anunciaram a detenção de um homem com explosivos junto ao corpo quando tentava entrar em um edifício governamental no norte da capital. De acordo com a administração somali, membros do Al-Shabab já estão tentado executar mais atentados.

No início de agosto, o Al-Shabab se retirou de Mogadíscio , após uma ofensiva das tropas pró-governamentais apoiadas por uma força da União Africana (AMISOM), que os islamitas afirmam ser composta por "mercenários". Além disso, o porta-voz do Al-Shabab chamou de mentirosas as informações de que estudantes ficaram feridos no ataque suicida.

Mas fontes do governo e da AMISOM informaram que muitas vítimas do atentado de terça-feira eram estudantes que aguardavam diante do Ministério da Educação Superior os resultados de um exame para obter uma bolsa de estudos na Turquia.

Em dezembro de 2009, os fundamentalistas realizaram um atentado contra um hotel em Mogadíscio, onde acontecia uma cerimônia de formatura, na qual morreram quatro ministros do governo de transição, três jornalistas, quatro médicos e 29 estudantes.

Fome

Filiado à Al-Qaeda, o Al-Shabab controla controla grande parte da região sul da Somália, a que mais sofre com uma crise de fome que, segundo a ONU, pode causar a morte de até 750 mil moradores .

O grupo radical não permite a entrada de agências de ajuda humanitária nas áreas do território sob seu controle e nega que a seca que atingiu a Somália tenha causado crise de fome.

A ONU declara crise de fome quando dois adultos ou quatro crianças por grupo de 10 mil pessoas morrem de fome a cada dia e 30% das crianças são seriamente desnutridas.

Com AFP, AP e EFE

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