Grupo extremista de Gaza opositor do Hamas escolherá em breve novo líder

Gaza, 17 ago (EFE).- O Jund Ansar Allah (Guerreiros de Deus), grupo extremista pró-Al Qaeda de Gaza que teve o líder morto pelo Hamas no sábado passado, anunciou hoje que elegerá em breve um novo representante que vingue o sangue de seu antecessor, o xeque Abdel-Latif Moussa.

EFE |

Em seu site, os extremistas advertem que "transformarão em viúvas" as esposas dos milicianos do Hamas, "como eles fizeram com as mulheres de nossos combatentes".

"A batalha por reforçar o Emirado Islâmico não acabou ainda, continuará até que se estabeleça, como quer Deus, ou até que morramos todos e encontremos ao mensageiro de Deus, o profeta Maomé, a paz seja com ele", ameaça.

A mensagem chega dois dias depois que os homens do Hamas, o movimento islamista que governa Gaza, sufocassem uma revolta do Jund Ansar Allah na cidade de Rafah, no sul da faixa, com um balanço de 24 mortos, entre eles Abel-Latif Moussa.

Tudo começou na manhã do dia anterior quando Moussa, rodeado de guarda-costas mascarados e armados, criticou duramente ao Hamas perante centenas de fiéis por ser "liberal demais", e assegurou que seu grupo instituiria uma teocracia baseada no império da "lei islâmica".

Após horas de tensão, os extremistas iniciaram um tiroteio com o Hamas que deixou 120 feridos e 85 membros de Jund Ansar Allah detidos.

O grupo, próximo do Al Qaeda, defende em seu comunicado a figura de seu anterior líder, cuja morte segue sem esclarecimento: algumas fontes asseguram que foi abatido a tiros por milicianos do Hamas e outros que preferiu se matar antes de ser detido.

Abel-Latif Moussa era um palestino nascido e crescido na Síria que entrou em Gaza através de um túnel subterrâneo sob a fronteira com o Egito depois que o Hamas tomasse o controle da faixa em junho de 2007.

Moussa, cujo nome real era Khaled Banato e também conhecido como Abu Abdullah Asuri, era responsável por numerosas ações militares contra Israel e especialista na fabricação de explosivos, segundo o grupo.

O xeque "trabalhava com o Hamas e oferecia a seus militantes toda sua experiência. Tinha bons vínculos e contatos com membros de seu braço armado, as Brigadas de Ezedin al-Qassam", aponta o comunicado na web.

O grupo, que rejeita laços com a rede terrorista de Osama bin Laden, acusa também ao Hamas de ter confiscado $120 mil, assim como armas.

Por sua parte, o Ministério do Interior do Governo do Hamas em Gaza minimizou as ameaças e destacou que "a situação na Faixa de Gaza é segura e estável" após os enfrentamentos.

Além disso, acusou líderes do Jund Ansar Allah de ter uma linha de pensamento que contradiz os princípios básicos do Islã.

O Hamas responsabiliza o grupo de diversos ataques contra internet cafés, livrarias e barbearias em Gaza nos últimos dois anos. EFE sar-ap/fk

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