Grupo do Rio e UE acordam se unir contra crise global

Praga, 13 mai (EFE).- Os países latino-americanos aceitaram hoje, com reservas apenas dos membros da Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), a oferta europeia de uma ampla cooperação em energia e de busca de soluções contra recessão econômica.

EFE |

Todos os participantes da 14ª conferência ministerial entre a União Europeia e o Grupo do Rio, que aconteceu hoje em Praga, assinaram uma declaração na qual expressaram seu apoio a uma cooperação mais profunda nos dois âmbitos, seguindo em grande medida as receitas da Europa.

Os integrantes da chamada Alba - Bolívia, Cuba, Honduras, Nicarágua e Venezuela - tornaram público um comunicado separado em que cumprimentaram o diálogo nessa questão, mas exigiram "uma discussão mais ampla e profunda".

"As soluções para a crise econômica global devem ser fruto de uma ampla e participativa discussão. Como consequência, consideramos que as soluções oferecidas não devem provir do seio de grupos excludentes", afirma o comunicado.

A divergência principal está centrada no papel que é atribuído comumente ao Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) na busca por uma solução estrutural às crises financeira e econômica mundiais.

Embora a declaração de Praga mencione a importância de que essas questões se abordem não só na Cúpula do G20, mas em "outros foros, particularmente na Conferência da ONU sobre a crise e seus efeitos sobre o desenvolvimento", os membros da Alba não o consideraram suficiente.

A conferência, que acontecerá em Nova York de 1º a 3 de junho próximos, "é, por sua natureza universal e democrática, o espaço propício para debater este importante tema", afirma o comunicado dos cinco membros da Alba, assinado também pelo Equador.

Os países Alba reiteraram sua reivindicação de "uma nova ordem econômica internacional que se sustente nos princípios de justiça e solidariedade, e de uma profunda transformação da atual arquitetura financeira internacional".

No décimo aniversário da "aliança estratégica" estabelecida entre UE e Grupo do Rio, a comissária europeia para assuntos exteriores, Benita Ferrero-Waldner, destacou hoje a convergência de ambas as regiões em uma série de temas, apesar das diferenças.

Em relação à segurança energética e à luta contra a mudança climática, europeus e latino-americanos concordam, segundo ela, sobre a necessidade de integrar os mercados de energia, de estimular os investimentos e impulsionar fontes renováveis.

"Nisso, a Europa tem muita experiência e vamos cooperar", assegurou a diplomata da UE.

Em relação à crise econômica e financeira, que "teve impacto em todos nós", segundo ressaltou Ferrero-Waldner, os chanceleres estiveram de acordo sobre a necessidade de "medidas coordenadas de estímulo fiscal e monetário" e rejeitaram de forma unânime o protecionismo.

A declaração apoiada pela UE e o Grupo do Rio pede que neste processo de recuperação as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo as mais pobres, tenham "mais voz e mais representação".

Os chanceleres pediram "uma reforma ambiciosa das instituições multilaterais" e a "construção de uma nova estrutura financeira internacional".

No parágrafo dedicado a fluxos comerciais, financeiros e de investimento, após a condenação do protecionismo "em todas suas formas", o texto reitera sua "oposição a medidas coercitivas unilaterais que são contrárias ao Direito internacional", em alusão à legislação americana contra Cuba, um país que hoje estreou nesse tipo de reuniões como membro do Grupo do Rio.

A declaração ressalta também "a importância de realizar acordos regionais atualmente em negociação que sejam complementares ao processo de conversas comerciais multilaterais do programa de Doha para o desenvolvimento".

Amanhã, representantes da UE se reunirão com o grupo centro-americano e discutirão o estado das negociações com esses países.

Já a reunião que estava prevista com os membros da Comunidade Andina, com a qual a Europa também começou a negociar um amplo acordo de associação, teve que ser cancelada, devido às divergências entre os andinos sobre formato e alcance da negociação comercial com a UE. EFE jms/rr

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