Grupo do Rio decide somar esforços para enfrentar crise econômica

Raúl Cortés.

EFE |

México, 13 nov (EFE) - O Grupo do Rio concordou hoje em somar esforços para enfrentar a crise econômica e defender seus direitos em uma possível nova ordem financeira mundial, no mesmo dia no qual aprovou a inclusão de Cuba como membro pleno do organismo, que passa a ter 23 integrantes.

Estas decisões foram assumidas durante a 27ª Reunião de Ministros das Relações Exteriores do organismo, realizada hoje em Zacatecas, no México.

Em entrevista coletiva ao fim do encontro, Patricia Espinosa, a chanceler do México, país que ostenta a Secretaria temporária do grupo, ressaltou o interesse dos participantes de criar uma frente comum frente à difícil situação econômica internacional.

Segundo Espinosa, no encontro "houve uma enorme coincidência nas preocupações levantadas, na necessidade de assegurar que haja fontes de financiamento para os países em desenvolvimento, que esta crise financeira não origine uma contração drástica dos recursos".

Os presentes também defenderam que "haja uma melhor e maior supervisão" do sistema financeiro e "que, no processo de definição, haja uma participação ativa e uma visão inclusiva de todas as visões e situações", principalmente da América Latina e do Caribe.

"Dentro do Grupo do Rio há realidades muito distintas", mas há "um reconhecimento de que é uma crise que vai causar impactos em todos e que, portanto, devemos promover uma ação arranjada", acrescentou.

Além disso, Espinosa anunciou que os três países que participarão este fim de semana da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) em Washington - Brasil, Argentina e México- transferirão as preocupações da região.

Por sua vez, a vice-chanceler da República Dominicana, Alejandra Liriano, disse que a crise "é uma prioridade para os países da região" e também se mostrou partidária de estreitar a colaboração.

A República Dominicana, que este ano recebeu a última cúpula de chefes de Estado do organismo, e México, que sediará os encontros em 2009, e o Chile, que fará o mesmo em 2010, formam a troika do grupo.

Na mesma entrevista coletiva, o vice-chanceler chileno, Alberto Klaveren, disse que "há um déficit de regulação internacional bastante claro e do qual são vítimas propicias justamente os países que são mais vulneráveis", como alguns na região.

"A América Latina não contribuiu para a geração desta crise internacional; em vez disso, foi vista inclusive pelas pessoas mais criticas como uma área bastante estável" e que teve "um comportamento econômico muito cauteloso", acrescentou.

Sobre a incorporação de Cuba ao organismo, 22 anos depois da fundação desse, em 1986, Espinosa indicou que a medida "torna o Grupo do Rio mais representativo, mais forte, mais inclusivo, mais plural".

A decisão "é um reflexo da realidade de nossa região e, neste sentido, nos nutriremos certamente das contribuições que eles possam fazer", explicou.

Sobre isso, Liriano sustentou que, nos últimos tempos, "houve um processo de ressurgimento do grupo, de expressão de uma vontade política dos chefes de Estado dos países-membros de aprofundar e ampliar o grupo", como ficou evidente com a recente entrada do Haiti.

Fontes da Chancelaria mexicana disseram à Agência Efe que o vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno, participou do encontro como convidado em representação do país e pôde conhecer pessoalmente a medida.

A integração de Cuba ao grupo já tinha sido analisada há anos, mas sempre tinha encontrado a rejeição de alguns membros, como, por exemplo, do bloco da América Central.

O embrião do atual Grupo do Rio foi o Grupo Contadora, criado por México, Colômbia, Panamá e Venezuela em 1983 para mediar nos conflitos centro-americanos.

Para respaldar esse esforço, dois anos depois surgiu o chamado Grupo de Apoio, com o qual Brasil, Argentina, Peru e Uruguai se uniram ao esforço pacificador na América Central.

Até hoje, era formado por Brasil, Argentina, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. EFE rac/db

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