Grupo desconhecido volta a lançar foguetes do Líbano contra Israel

Kathy Seleme. Beirute, 14 jan (EFE).- Pela segunda vez em menos de uma semana, um grupo desconhecido lançou hoje do sul do Líbano vários foguetes contra o norte de Israel, em um novo incidente que se junta à tensão existente por causa da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza.

EFE |

Fontes policiais do sul do Líbano disseram à Agência Efe que os foguetes lançados foram seis, mas só dois deles atingiram território israelense, o resto caiu em território libanês.

Segundo a rádio pública israelense, na localidade israelense de Kiryat Shmona, soaram esta manhã as sirenes antiaéreas, e foram ouvidas várias explosões nas imediações do local.

O lançamento dos foguetes foi feito a partir da área de Habariye, sob comando das tropas na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul).

Fontes militares consultadas em Beirute disseram que, no local do lançamento, o grupo tinha outros três projéteis prontos, e afirmaram que também havia uma armadilha com explosivos que não detonou quando os artefatos foram achados por soldados do Exército libanês.

Israel respondeu a este lançamento com disparos de artilharia, mas sem causar vítimas. Os projéteis israelenses caíram nas localidades libanesas de Kfarchouba, Merie e Hebarieh, segundo fontes militares.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do lançamento de hoje.

Descarta-se o envolvimento do grupo xiita libanês Hisbolá, que protagonizou um conflito contra Israel em meados de 2006.

As fontes militares disseram que as autoridades israelenses tinham decidido cancelar um bombardeio aéreo no sul do Líbano após o lançamento de hoje, já que, acrescentaram, Israel e o Hisbolá consideram que é um fato isolado, e espera-se que não haja uma escalada da tensão a partir do território libanês.

No entanto, aviões israelenses intensificaram seus vôos a baixa altitude no sul do Líbano, especialmente nas regiões de Hasbaya e Marj'uyun.

A Finul também reforçou suas patrulhas pela área, a fim de garantir a segurança na região e investigar quem pode estar por trás do lançamento destes foguetes.

Este incidente é parecido com outro registrado em 8 de janeiro, quando vários foguetes Katyusha foram lançados contra o norte de Israel, com um saldo de pelo menos dois levemente feridos depois da queda de um dos projéteis em um asilo de idosos.

O Hisbolá negou qualquer responsabilidade nesse primeiro ataque e hoje, após o segundo, o responsável de relações internacionais do grupo xiita, Nawaf Musawi, afirmou que não tem autoridade para identificar os responsáveis.

Musawi também disse que, caso Israel lance uma ofensiva contra o sul do Líbano, o Hisbolá está preparado para respondê-la.

Este é o segundo incidente no sul do Líbano desde o começo da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, em 27 de dezembro.

Estes ataques aumentam a tensão na região, assim como o temor quanto à regionalização de um conflito que já deixou cerca de 970 mortos entre os palestinos.

O ministro para a Reforma Administrativa libanês, Ibrahim Shamseddine, qualificou hoje de "erro" o lançamento de projéteis do sul do Líbano e disse que os libaneses não são responsáveis por estes disparos A emissora "A Voz do Líbano" afirmou que o presidente do Líbano, Michel Suleiman, acompanha a situação de perto e que o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, entrou em contato com líderes árabes para discutir a situação no sul do país e em Gaza.

Depois de se reunir com Siniora, o ministro de Informação libanês, Tarek Mitri, disse aos jornalistas que o disparo de projéteis contra Israel prejudica o Líbano e os palestinos, e acrescentou que está sendo investigado quem pode estar por trás destes fatos.

O lançamento de hoje coincide com a visita ao Líbano do líder histórico da Frente Democrática para a Libertação da Palestina, Nayef Hawatmeh, que vive em Damasco e se declarou contra tudo que possa dar pretexto a Israel para atacar o Líbano.

O ministro da Defesa libanês, Elias Murr, afirmou na terça-feira à noite que "o Líbano não será, para nenhum grupo, um teatro para uma nova guerra que não tenha sido decidida pelo Estado, nem pelo povo, pela resistência, pelo Governo ou pelo Exército".

"Pagamos uma conta muito pesada em 2006, mas o país saiu vencedor e não aceitaremos que um grupo terrorista leve o Exército e o povo libanês a uma guerra que só beneficia Israel", acrescentou Murr.

Também afirmou que o Líbano não dará nenhum pretexto a Israel para abrir uma nova frente e "desviar os olhares dos massacres cometidos em Gaza". EFE ks-rd-ag/an

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