Grupo desconhecido reivindica atentado contra hotel Marriott no Paquistão

Um grupo desconhecido e intitulado Fedayeen Islan reivindicou nesta segunda-feira a responsabilidade do atentado suicida contra o grande hotel Marriot de Islamabad, que causou pelo menos 60 mortos no sábado, em uma ligação telefônica ao canal Al Arabiya, com sede em Dubai.

AFP |

O correspondente do canal em Islamabad explicou que recebeu uma mensagem em seu celular indicando um número telefônico. Ao ligar para ele, ouviu uma mensagem gravada na caixa postal, onde um indivíduo reivindicou o atentado em nome do grupo "Fedayeen Islan" (Combatentes do Islã).

O autor da mensagem falava em inglês com um sotaque do sudeste asiático, afirmou ainda o jornalista.

Até o momento, ninguém havia reinvidicado o atentado, mas especialistas na rede de Osama Bin Laden acreditam que há alguns meses o noroeste do Paquistão se converteu "numa nova frente de guerra contra o terrorismo".

Enquanto isso, as autoridades paquistanesas continuavam em busca da célula da rede Al-Qaeda suspeita de ter cometido o atentado de sábado, que chegou a ameaçar a vida do presidente e do primeiro-ministro.

Na noite de sábado, um suicida jogou um caminhão com 600 kg de explosivos em frente à barreira de segurança desse luxuoso hotel, que foi reduzido a escombros.

Na entrada da capital, a polícia e o Exército revistam todos os caminhões em um posto de controle instalado desde o início dos atentados suicidas que deixaram 1.300 mortos em todo o país em pouco mais de um ano. Os ataques são atribuídos pelas autoridades aos talibãs paquistaneses ligados à rede Al-Qaeda de Osama bin Laden.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e seu primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, tinham programado um jantar no hotel Marriott na hora em que ocorreu o atentado, mas mudaram os planos de última hora, informou nesta segunda-feira o ministério do Interior.

"O presidente do Parlamento havia organizado naquela dia um jantar no Marriott para todos os dirigentes, mas mudaram o local do encontro e todos os dirigentes se salvaram", indicou um assessor do ministério.

"Por enquanto, concentramos todos os nossos esforços na busca de uma rede em Islamabad que facilitou a preparação e o transporte da bomba", explicou à AFP uma fonte ligada às investigações.

Segundo autoridades policiais, pelo menos 60 pessoas morreram no ataque, mas um balanço oficial registra 53 mortos e 266 feridos.

Entre os mortos estão dois americanos, o embaixador tcheco em Islamabad e uma vietnamita. Agentes da inteligência dinamarquesa foram dados como desaparecidos.

Pelo que tudo indica, os explosivos foram transportados aos poucos das zonas tribais do noroeste do Paquistão, fronteira com o Afeganistão e reduto dos talibãs paquistaneses ligados à Al-Qaeda, concluiu o responsável dos serviços de segurança.

Domingo, o conselheiro do primeiro-ministro para Assuntos Internos, Rehman Malik, acusou indiretamente os talibãs paquistaneses ligados à Al-Qaeda, garantindo que o TNT e o RDX, os explosivos de alta qualidade utilizados no ataque, eram do mesmo modelo dos usados em dois atentados anteriores, um deles contra a embaixada da Dinamarca em Islamabad assumido pela Al-Qaeda.

Até agora ninguém assumiu o atentado contra o hotel Marriott, mas especialistas na rede de Osama bin Laden consideram há meses que o noroeste do Paquistão se transformou na nova frente de guerra contra o terrorismo.

Nesta segunda-feira, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que ambos os países fronteiriços se comprometeram a realizar uma "cooperação honesta" para lutar contra o terrorismo.

Os Estados Unidos estão convencidos de que os talibãs afegãos e a Al-Qaeda reconstituíram suas forças nestas zonas tribais, onde forças americanas e afegãs multiplicaram os disparos de mísseis contra combatentes fundamentais, que obviamente atingem civis, apesar dos protestos do Paquistão.

rj/lm/fp

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