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Grupo de líderes progressistas surgiu com Terceira Via em 1999

A cidade de Viña del Mar, no Chile, recebe nesta sexta-feira e no sábado uma série de chefes de Estado e outros representantes de governos de centro-esquerda para o Encontro de Líderes Progressistas. A reunião deve contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, entre outros.

BBC Brasil |

A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas para ajudar você a entender melhor o papel do grupo e a importância da reunião no Chile.

O grupo, batizado de Rede de Líderes Progressistas, surgiu em 1999 com apoio de setores de esquerda e centro-esquerda que buscavam alternativas ao neoliberalismo e se identificavam com a chamada "Terceira Via". O termo reflete a crença em um governo em que a interferência do Estado na sociedade não seja nem tão grande, como no socialismo, nem tão pequena, como no liberalismo.

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o ex-presidente americano Bill Clinton estão entre os principais defensores da "Terceira Via".

O primeiro encontro do grupo foi realizado em Berlim, em 2000, com a participação dos ex-presidentes do Chile, Ricardo Lagos, do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da África do Sul, Thabo Mbeki.

Outras reuniões foram realizadas em Estocolmo, em 2002, em Londres, em 2003 e 2008, em Budapeste, em 2004, e Johanesburgo, em 2006.

Para o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, a Rede de Líderes Progressistas é um "espaço político" que defende uma saída para a crise financeira, que privilegie a produção e a geração de empregos.

Segundo representantes dos governos que participam do encontro, um líder progressista segue uma linha ideológica de centro-esquerda e defende uma globalização e um capitalismo mais justos, com reformas no sistema financeiro e adoção de políticas sociais que reduzam a desigualdade social e a concentração de renda, gerando mais oportunidades.

Entretanto, a definição de "progressista" gera discussões. "Não está claro sobre o que significa ser progressista no século 21", diz o cientista político Guillermo Holzman. "Sabemos que, antes, (os líderes progressistas) eram de origem marxista e que passaram, mais tarde, a ser social-democratas. Hoje, progressista é aquele grupo que enfatiza a igualdade, a ética e a Justiça."
Líderes de esquerda como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o presidente boliviano, Evo Morales, não foram convidados para a reunião em Viña del Mar. Assessores da presidente do Chile, Michelle Bachelet, anfitriã da reunião, disseram que isso aconteceu porque "eles nunca participaram do grupo". "Para ser progressista, é preciso ver a globalização como oportunidade e não combatê-la, simplesmente", afirmam.

Além de Lula, Biden e Brown, confirmaram presença a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e a anfitriã, a presidente chilena Michelle Bachelet, entre outros.

A expectativa é de que o principal tema seja a crise financeira global. Entretanto, questões sociais e mudanças climáticas também devem fazer parte da pauta de discussões.

O grupo dos líderes progressistas é um fórum de discussão. Ele apresenta propostas, realiza declarações conjuntas com sugestões de medidas que podem ser adotadas, mas não tem o poder de decidir sobre o que cada país ou governo deve fazer.

Espera-se que, ao final do encontro, o grupo divulgue uma declaração que, preveem analistas, deve condenar o protecionismo.

O analista político chileno Ricardo Israel observa que o grupo jamais conseguiu influenciar as decisões globais sobre política ou economia. "E certamente, como nas reuniões anteriores do grupo de líderes progressistas, não haverá decisão importante, alem da abundância retórica", critica.

Em geral, eles se colocam contra o protecionismo, defendem maior estímulo ao comércio internacional, maior regulamentação do mercado financeiro e reformas no sistema financeiro e nos organismos multilaterais de crédito, como o FMI.

Eles não entram em detalhes sobre como colocar as propostas na prática. Mas, no caso da América do Sul, a Argentina tem optado por adotar medidas com o objetivo de proteger a indústria local, enquanto o Brasil parece ter um discurso diferente, mais afinado com os países desenvolvidos, como a Grã-Bretanha.

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