Por Jonathon Burch CABUL (Reuters) - Tropas do exército dos Estados Unidos invadiram um hospital beneficente sueco no Afeganistão e amarraram parentes de pacientes e funcionários, disse o fundo de caridade neste domingo, que chamou a ação de violação dos direitos entre militares e grupos de ajuda.

Em um comunicado distribuído neste domingo, o Comitê Sueco para o Afeganistão (SCA, na sigla em inglês) disse que soldados entraram no hospital em Wardal, no sul de Cabul, na noite de quarta-feira, e sem explicações fizeram uma busca, incluindo as enfermarias e os banheiros femininos.

"Ao entrarem no hospital, eles amarraram quatro funcionários e dois familiares de pacientes no hospital. Os funcionários do SCA, bem como os pacientes (mesmo aqueles em camas) foram forçados a saírem dos quartos/enfermarias durante a busca", informou o SCA, em comunicado.

"Isso é simplesmente inaceitável", disse o diretor do SCA no país, Anders Fange, à Reuters.

"Isso não é apenas uma clara violação dos reconhecidos princípios humanitários globais sobre a inviolabilidade das instalações e profissionais da área da saúde em regiões de conflito, mas também uma fenda clara no acordo civil-militar" entre os grupos de ajuda e a Força Internacional de Assistência à Segurança (nome oficial da missão da Otan no Afeganistão), disse.

Um oficial de imprensa da força da Otan no país, a tenente-comandante Christine Sidenstricker, disse que estava ciente de um incidente, mas não tinha informações suficientes para comentar.

O porta-voz da ONU Aleem Siddique disse que ele não estava a par dos detalhes desse incidente em particular, mas que as leis internacionais requerem que os militares evitem operações em instalações hospitalares.

O SCA desenvolve programas de saúde, educação e agricultura em cerca de metade das províncias do país. E está baseado no Afeganistão desde o início de 1980.

Quando os soldados deixaram o hospital, os funcionários foram orientados a informar para a força da Otan sobre qualquer potencial insurgente tratado, disse o grupo sueco. Fange informou que o SCA não tem que fazê-lo.

"Há o juramento de Hipócrates. Se alguém está ferido, doente ou necessita de tratamento ... se são seres humanos, então eles são recebidos e tratados como deveriam ser pelo direito internacional."

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