Grupo ataca cassino no México e deixa dezenas de mortos

Maior parte das 52 vítimas de massacre morreu intoxicada após tentar se esconder de agressores que atearam fogo no prédio

iG São Paulo |

Um ataque a um cassino deixou 52 mortos em Monterrey, no norte do México, na quinta-feira. O presidente do país, Felipe Calderón, decretou luto nacional de três dias e anunciou o reforço das forças federais no Estado de Nuevo León.

De acordo com o procurador de Justiça do Estado, Adrián de la Garza, cinco ou seis homens teriam invadido o cassino Royale e exigido, aos gritos, que todos saíssem do local. Eles espalharam gasolina no estabelecimento e, em seguida, atearam fogo.

Granadas e revólveres foram usados, mas o governo afirmou que muitas vítimas sofreram intoxicação provocada pela fumaça, após terem ficado presas dentro dos banheiros e salas do cassino onde tentaram se esconder dos autores do ataque.

Na noite desta sexta-feira, a procuradoria estatal informou que dos 52 mortos, 39 foram identificados. Destes, 31 eram mulheres.

Ainda que as circunstâncias do ataque não estejam claras, a imprensa mexicana associou o caso à guerra do narcotráfico, que já deixou ao menos 40 mil mortos nos últimos cinco anos, segundo a contagem da mídia local.

O massacre de Monterrey é, desde já, um dos mais graves no país desde 2006. O número de vítimas, segundo autoridades, ainda pode subir. ''É possível que encontremos mais mortos dentro do edifício'', informou o procurador.

O cassino atacado, inaugurado há três anos e meio, possui dois andares. No primeiro piso, há um bingo com capacidade para 250 pessoas, máquinas caça-níqueis e roletas. No segundo andar, há mesas de pôquer.

Desde o ano passado, a região é palco de uma batalha entre as gangues criminosas El Golfo e Los Zetas, que querem controlar esta importante rota de passagem para o tráfico de drogas com destino aos Estados Unidos. Menos de 24 horas antes do massacre em Monterrey, outro cassino foi atacado com uma granada na cidade de Saltillo, no estado de Coahuila.

O massacre acontece menos de uma semana depois de um tiroteio do lado de fora do estádio de Torreón, também em Coahuila, ter provocado a suspensão de uma partida de futebol da primeira divisão - algo inédito na história do país.

As autoridades mexicanas, na ocasião, afirmaram que os tiros nas imediações do estádio e as imagens dos jogadores saindo correndo do campo foram ''um alerta para o governo''.

Twitter

Nesta sexta-feira, o governo definiu o ataque ao Royale como ''um ato de terror'' e ''uma noite de tristeza para o México''. ''Com profunda consternação, expresso a minha solidariedade com Nuevo León e com as vítimas deste abominável ato de terror e barbárie'', disse o presidente Felipe Calderón em sua conta de Twitter.

O líder convocou para esta sexta-feira uma reunião extraordinária de seu gabinete de segurança nacional para analisar a resposta contra os autores do ataque. "O México é muito mais forte que um punhado de criminosos que querem impor o medo", afirmou, em comunicado. Ele também disse que uma "substancial recompensa" será oferecida a quem der informações sobre o caso.

O termo ''terrorismo'' se tornou um dos ''trending topics'' (um dos mais discutidos) entre usuários do Twitter no México, juntamente com as hashtags #FuerzaMonterrey e #CasinoRoyale.

De acordo com pesquisas recentes, 56% dos mexicanos acredita que o crime organizado está vencendo a guerra contra o narcotráfico, ainda que o governo afirme que em cidades como Ciudad Juárez já se nota uma redução da violência graças à sua estratégia contra o crime.

Mas muitos acreditam que a sociedade mexicana está perdendo seus espaços públicos por conta da violência, como estádios de futebol, praças e agora cassinos.

Com EFE e AP

    Leia tudo sobre: méxicoviolênciaataquecassino

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG