Grupo armado mata 12 índios na Colômbia

Um grupo de homens armados matou 12 integrantes de uma tribo indígena em uma reserva na província de Narino, sudoeste da Colômbia. O ataque ocorreu de madrugada em uma região conhecida por ser rota do tráfico de cocaína.

BBC Brasil |

Segundo autoridades policiais, o grupo era formado por homens encapuzados que usavam uniformes sem insígnias. A identidade dos matadores ainda é desconhecida.

O procurador-geral do Estado de Narino, Alvaro Lara, disse que os assassinos perguntaram por uma mulher chamada de "A Matrona", a respeito de uma dívida e então começaram a atirar contra "qualquer coisa que se movesse".

Os homens mataram a tiros membros de uma família em duas casas na reserva Gran Rosario, da tribo Awa, a cerca de 80 quilômetros do porto de Tumaco, no Estado de Narino. Cerca de 1,5 mil integrantes da tribo Awa moram na reserva.

O governador de Narino, Antonio Navarro, disse à BBC que cinco crianças e sete adultos foram mortos. Um homem e um menino ficaram feridos, mas sobreviveram ao ataque.

O governo estadual e central ofereceram recompensas por informações que levem à prisão dos matadores.

"Sabemos que eles eram matadores, mas não sabemos quem os contratou, se foram paramilitares, as Farc, ou algum outro grupo ligado às forças de segurança", disse à BBC Luis Evelis Andrade, chefe da Organização Nacional Indígena da Colômbia.

Rebeldes marxistas e grupos armados de direita são ativos na região, que também é local de grandes plantações de coca.

Outro ataque
Em fevereiro de 2009 outros 17 integrantes da tribo Awa foram mortos em outro ataque, que teria sido realizado por rebeldes das Farc. Uma semana depois outros dez indígenas foram mortos.

O governador de Narino afirmou que, diferentemente do que ocorreu em fevereiro, as informações recebidas pelo governo não apontam para a guerrilha como responsável pelas mortes.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, lamentou o último episódio de violência.

"Nos machuca profundamente", afirmou o presidente, depois de uma reunião para discutir o massacre.

Uribe disse que o gabinete do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU foi convidado e aceitou acompanhar as investigações.

Os indígenas que vivem em Narino, assim como em outras partes da Colômbia, estão na linha de frente do conflito civil que já dura 45 anos no país, pois suas terras frequentemente estão em importantes rotas de transporte onde são cultivadas a coca e papoulas, como parte do tráfico de cocaína e heroína.

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