Por Nidal al-Mughrabi GAZA (Reuters) - Radicais islâmicos de um grupo palestino chamado Jund Ansar Allah desafiaram o Hamas nesta sexta-feira, em Gaza, declarando o território como um emirado islâmico.

Ainda que os "Guerreiros de Deus" tenham juntado somente algumas centenas de homens no evento, realizado em uma mesquita de Gaza, foi o desafio mais recente aos nacionalistas do Hamas feito por militantes pan-arábicos alinhados com a Al Qaeda.

Após a reunião, disparos foram registrados na cidade de Rafah, no sul, perto da fronteira com o Egito e onde o líder do movimento está abrigado. A agência de notícias palestina WAFA afirmou que o Hamas estava engajado em disputas armadas com os seguidores do movimento.

Em fala aos fiéis que compareceram às preces semanais, Abdel-Latif Moussa --conhecido por seus seguidores pelo nome de guerra Abu al-Nour al-Maqdessi, ao estilo da Al Qaeda-- anunciou o início da teocracia nos territórios palestinos, a começar de Rafah, e prometeu implementar as leis islâmicas.

"Nós declaramos o nascimento do Emirado Islâmico", afirmou Maqdessi, clérigo de meia-idade e barba espessa com uma túnica vermelha. Ele era escoltado por quatro homens vestidos de preto, mascarados e armados com rifles. Um deles parecia vestir um cinturão de bombas.

As centenas de homens presentes na mesquita aclamaram o anúncio e gritaram. A Al Qaeda usa o termo histórico "emirado" para definir o domínio clerical no mundo islâmico.

Ismail Haniyeh, que dirige o governo de Hamas em Gaza, negou em seu sermão desta sexta-feira que haja qualquer homem armado no território que não seja palestino, como Israel alega, com a acusação de que veteranos das guerras no Iraque e no Afeganistão estejam se mudando para a região.

"Esses grupos não existem no solo da Faixa de Gaza... Não há combatentes em Gaza além dos próprios combatentes oriundos daqui", afirmou.

Sami Abu Zuhri, também do Hamas, chamou o discurso de Maqdessi de "pensamento equivocado", e em clara referência à Al Qaeda, acrescentou que o grupo "não é afiliado a grupos estrangeiros". O ministro do Interior do Hamas foi mais incisivo, chamando Maqdessi de "louco".

O grupo anunciou sua existência em Gaza há dois meses, depois que três de seus membros foram mortos em um confronto na fronteira em uma base israelense.

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